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Vladimir Putin admite "abandonar já o mercado europeu"

Vladimir Putin admite "abandonar já o mercado europeu"

"Talvez faça sentido abandonarmos já o mercado europeu, em busca de parceiros fiáveis", afirmou o presidente russo esta quarta-feira, numa análise ao impacto da ofensiva israelo-americana contra o Irão num quadro de crise económica do país.

Graça Andrade Ramos, RTP /
Vladimir Putin, presidente da Federação Russa, no Kremlin Foto: Gavriil Grigorov - Reuters

Entrevistado pelo repórter da TV estatal russa, Pavel Zarubin, Vladimir Putin afirmou que "agora outros mercados estão a abrir-se. E talvez seja mais vantajoso para nós interromper o fornecimento [de gás] para o mercado europeu agora. Migrar para estes mercados que estão a abrir e estabelecer-nos lá".

A decisão, contudo, ainda não foi tomada. "Isto não é uma decisão, é, neste caso, o que chamamos de reflexão em voz alta. Com certeza, vou instruir o governo para trabalhar nesta questão em conjunto com as nossas empresas." A Comissão Europeia vai apresentar uma proposta legal para proibir permanentemente as importações de petróleo russo a 15 de abril, três dias após as eleições parlamentares na Hungria, de acordo com responsáveis ​​da UE e um documento visto pela Reuters.

Putin reiterou que a Rússia sempre foi um fornecedor de energia de confiança e continuará a trabalhar dessa forma com parceiros que também sejam de confiança, como a Eslováquia e a Hungria.

A procura por outros mercados poderá ser uma tentativa de relançar a economia russa.

Em particular, a queda das receitas no setor energético levou já a alterações no orçamento, estando a ser estudado um corte na despesa.
PIB russo caiu 2,1%

Putin refletiu nesta entrevista a Zarubin, que "os preços do petróleo e do gás estão a subir, inclusive devido à crise no Médio Oriente", dando a entender uma possível recuperação da economia russa com base nesse aumento.

O setor energético russo não conseguiu em 2025 colmatar a queda económica apesar do petróleo estar a ser negociado perto dos máximos dos últimos meses.

As receitas do gás em fevereiro deverão registar uma queda e a moeda russa, o rublo, está a desvalorizar-se. O rublo desvalorizou esta quarta-feira, mais de um por cento face ao dólar norte-americano e ao yuan chinês, antes de recuperar e fechar a cair 0,4 por cento, cotado a 77,97 por dólar. 

Em janeiro, o Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia caiu 2,1 por cento, face ao período homólogo, informou esta quarta-feira o Ministério da Economia.

O ministério afirmou que a queda se deveu à elevada base de comparação do ano passado e ao menor número de dias úteis em janeiro de 2026.O crescimento económico russo desacelerou para um por cento em 2025, face aos 4,9 por cento do ano anterior. O governo prevê um crescimento de 1,3% para este ano, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) espera um crescimento de 0,8%.

Terça-feira à noite, Vladimir Putin reuniu-se no Kremlin com diversos responsáveis do seu executivo, tendo sido elaborado um plano para direcionar mais recursos para o Fundo Nacional de Riqueza, ajustando o mecanismo da sua formação.

O Ministério das Finanças afirmou que vai reduzir o chamado preço de corte, acima do qual a receita do sector energético é transferida para o fundo, actualmente nos 59 dólares por barril, muito acima do preço com desconto do petróleo russo.

Tais planos implicam um corte nas despesas, o que será politicamente difícil, dado que a actual acção militar na Ucrânia está a consumir os recursos da Rússia. O ministério afirmou que irá detalhar as alterações no prazo de duas semanas.

O impacto da guerra com o Irão traz ainda riscos acrescidos. 

Um petroleiro russo carregado com gás natural liquefeito (GNL) afundou-se no Mediterrâneo na quarta-feira, após o que Moscovo descreveu como um ataque de drones ucranianos lançados a partir da Líbia.

O Arctic Metagaz afundou-se em águas entre a Líbia e Malta depois de ter ardido no dia anterior, informou a agência de resgate marítimo da Líbia num comunicado visto pela Reuters.

Putin disse a Zarubin que o ataque ao petroleiro foi "um ato terrorista".

c/agências
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