Economia
Vladimir Putin admite "abandonar já o mercado europeu"
"Talvez faça sentido abandonarmos já o mercado europeu, em busca de parceiros fiáveis", afirmou o presidente russo esta quarta-feira, numa análise ao impacto da ofensiva israelo-americana contra o Irão num quadro de crise económica do país.
Entrevistado pelo repórter da TV estatal russa, Pavel Zarubin, Vladimir Putin afirmou que "agora outros mercados estão a abrir-se. E talvez seja mais vantajoso
para nós interromper o fornecimento [de gás] para o mercado europeu agora. Migrar
para estes mercados que estão a abrir e estabelecer-nos lá".
A decisão, contudo, ainda não foi tomada. "Isto não é uma decisão, é, neste caso, o que chamamos de reflexão
em voz alta. Com certeza, vou instruir o governo para trabalhar nesta
questão em conjunto com as nossas empresas." A Comissão Europeia vai apresentar uma proposta legal para proibir permanentemente as importações de petróleo russo a 15 de abril, três dias após as eleições parlamentares na Hungria, de acordo com responsáveis da UE e um documento visto pela Reuters.
Putin reiterou que a Rússia sempre foi um fornecedor de energia de confiança e continuará a trabalhar dessa forma com parceiros que também sejam de confiança, como a Eslováquia e a Hungria.
A procura por outros mercados poderá ser uma tentativa de relançar a economia russa.
Em particular, a queda das receitas no setor energético levou já a alterações no orçamento, estando a ser estudado um corte na despesa.
PIB russo caiu 2,1%
Putin refletiu nesta entrevista a Zarubin, que "os preços do petróleo e do gás estão a subir, inclusive devido à crise no Médio Oriente", dando a entender uma possível recuperação da economia russa com base nesse aumento.
O setor energético russo não conseguiu em 2025 colmatar a queda económica apesar do petróleo estar a ser negociado perto dos máximos dos últimos meses.
As receitas do gás em fevereiro deverão registar uma queda e a moeda russa, o rublo, está a desvalorizar-se. O rublo desvalorizou esta quarta-feira, mais de um por cento face ao dólar norte-americano e ao yuan chinês, antes de recuperar e fechar a cair 0,4 por cento, cotado a 77,97 por dólar.
O setor energético russo não conseguiu em 2025 colmatar a queda económica apesar do petróleo estar a ser negociado perto dos máximos dos últimos meses.
As receitas do gás em fevereiro deverão registar uma queda e a moeda russa, o rublo, está a desvalorizar-se. O rublo desvalorizou esta quarta-feira, mais de um por cento face ao dólar norte-americano e ao yuan chinês, antes de recuperar e fechar a cair 0,4 por cento, cotado a 77,97 por dólar.
Em janeiro, o Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia caiu 2,1 por cento, face ao período homólogo, informou esta quarta-feira o Ministério da Economia.
O ministério afirmou que a queda se deveu à elevada base de comparação do ano passado e ao menor número de dias úteis em janeiro de 2026.O crescimento económico russo desacelerou para um por cento em 2025, face aos 4,9 por cento do ano anterior. O governo prevê um crescimento de 1,3% para este ano, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) espera um crescimento de 0,8%.
O ministério afirmou que a queda se deveu à elevada base de comparação do ano passado e ao menor número de dias úteis em janeiro de 2026.O crescimento económico russo desacelerou para um por cento em 2025, face aos 4,9 por cento do ano anterior. O governo prevê um crescimento de 1,3% para este ano, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) espera um crescimento de 0,8%.
Terça-feira à noite, Vladimir Putin reuniu-se no Kremlin com
diversos responsáveis do seu executivo, tendo sido elaborado um plano
para direcionar mais recursos para o Fundo Nacional de Riqueza,
ajustando o mecanismo da sua formação.
O Ministério das Finanças afirmou que vai reduzir o chamado preço de corte, acima do qual a receita do sector energético é transferida para o fundo, actualmente nos 59 dólares por barril, muito acima do preço com desconto do petróleo russo.
Tais planos implicam um corte nas despesas, o que será politicamente difícil, dado que a actual acção militar na Ucrânia está a consumir os recursos da Rússia. O ministério afirmou que irá detalhar as alterações no prazo de duas semanas.
O Ministério das Finanças afirmou que vai reduzir o chamado preço de corte, acima do qual a receita do sector energético é transferida para o fundo, actualmente nos 59 dólares por barril, muito acima do preço com desconto do petróleo russo.
Tais planos implicam um corte nas despesas, o que será politicamente difícil, dado que a actual acção militar na Ucrânia está a consumir os recursos da Rússia. O ministério afirmou que irá detalhar as alterações no prazo de duas semanas.
O impacto da guerra com o Irão traz ainda riscos acrescidos.
Um petroleiro russo carregado com gás natural liquefeito (GNL) afundou-se no Mediterrâneo na quarta-feira, após o que Moscovo descreveu como um ataque de drones ucranianos lançados a partir da Líbia.
O Arctic Metagaz afundou-se em águas entre a Líbia e Malta depois de ter ardido no dia anterior, informou a agência de resgate marítimo da Líbia num comunicado visto pela Reuters.
O Arctic Metagaz afundou-se em águas entre a Líbia e Malta depois de ter ardido no dia anterior, informou a agência de resgate marítimo da Líbia num comunicado visto pela Reuters.
Putin disse a Zarubin que o ataque ao petroleiro foi "um ato terrorista".
c/agências