Última Hora
Supremo reduz pena de Manuel Pinho de dez para oito anos e seis meses de prisão

Vodafone contesta decisão de retirada total de frabricantes de alto risco da sua rede

Vodafone contesta decisão de retirada total de frabricantes de alto risco da sua rede

A Vodafone Portugal contestou a retirada da Huawwei em toda a sua rede de transporte WDM porque nem todos os componentes que a compõem têm o mesmo nível de risco, disse hoje o presidente executivo (CEO), Luís Lopes.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O gestor falava num encontro com jornalistas que decorreu na sede da empresa, em Lisboa.

Sobre a nova avaliação de segurança às redes 5G, que foi realizada dentro do prazo, o gestor escusou-se a fazer comentários.

Mas relativamente a decisões anteriores, que têm a ver com a chinesa Huawei, Luís Lopes referiu que a Comissão de Avaliação de Segurança considerou que a rede de transporte - WDM - dos operadores não deveria incorporar componentes de high risk vendor [fornecedores de alto risco], neste caso a Huawei.

"Contestámos muito" essa decisão junto das entidades envolvidas, Governo incluído, disse o CEO.

A Vodafone Portugal não tem acesso à análise detalhada da avaliação de risco.

"Contestámos nos fóruns competentes" e "ainda não tomámos qualquer decisão sobre pedido de indemnização", prosseguiu Luís Lopes.

Em síntese, a Vodafone não concorda com as medidas de retirada total de fornecedores de alto da sua rede, considerando que a medida tem de ser proporcional e ajustada ao risco identificado.

"Nem todos os componentes da rede têm o mesmo nível de risco", salientou.

Além disso, "não achamos que a rede de transporte devesse ter sido considerada matéria de risco de cibersegurança à semelhança do que foi decidido noutros países europeus", salientou o CEO da Vodafone Portugal.

A Vodafone está a cumprir todas as obrigações que lhes foram impostas.

Em 2023, a Comissão de Avaliação de Segurança, no âmbito do Conselho Superior de Segurança do Ciberespaço, divulgou uma deliberação sobre o "alto risco" para a segurança das redes e de serviços 5G do uso de equipamentos de fornecedores que, entre outros critérios, sejam de fora da UE, NATO ou OCDE e que "o ordenamento jurídico do país em que está domiciliado" ou ligado "permita que o Governo exerça controlo, interferência ou pressão sobre as suas atividades a operar em países terceiros".

A deliberação não referia nomes de empresas ou de países, mas a entidade em causa era a chinesa Huawei, que entrou com uma ação administrativa contra a deliberação sobre equipamentos 5G da Comissão de Avaliação de Segurança, com o objetivo de salvaguardar os seus direitos legais.

Entretanto, cerca de três anos depois da deliberação da Comissão de Avaliação de Segurança, a Meo entrou com uma ação em tribunal contra o Estado português para ser ressarcida da exclusão da Huawei como fornecedora de 5G, reclamando 82 milhões de euros de indemnização, que é uma estimativa do impacto da decisão.

A empresa não pede a anulação da decisão que baniu a Huawei, mas somente a compensação pelos custos decorrentes.

A substituição de equipamentos de fornecedores de risco nas redes móveis, fixas e de transporte na UE, como a Huawei, poderá custar às operadoras entre 30 a 40 mil milhões de euros, segundo o relatório da GSMA Intelligence divulgado este verão. 

Um estudo feito pela consultora EY a pedido da Huawei e divulgado em setembro de 2024 referia que a exclusão da tecnológica chinesa das redes 5G em Portugal poderia custar à economia portuguesa mais de mil milhões de euros.

Tópicos
PUB