Volkswagen vê prejuízo trimestral subir para 5,8 mil milhões face à concorrência chinesa
A gigante automóvel Volkswagen registou um prejuízo de 5,8 mil milhões de euros no terceiro trimestre, um valor mais de cinco vezes superior ao de um ano antes, sobretudo devido à concorrência chinesa.
De acordo com um comunicado do grupo alemão, a principal causa dos fatores excecionais, que totalizam 7,8 mil milhões de euros, é a desvalorização dos ativos ligados à Porsche.
A subsidiária de automóveis de luxo, que enfrenta sérias dificuldades, sofreu uma desvalorização que ascende a 6,4 mil milhões de euros.
Os ativos na China, mercado onde a fabricante automóvel, que atravessa uma crise, enfrenta uma concorrência feroz, também sofreram uma desvalorização de mil milhões de euros.
O impacto acumulado destes fatores ao longo de nove meses ascende a 8,7 mil milhões de euros, informou a Volkswagen.
Outros fatores excecionais incluem o impacto financeiro da interrupção da produção do modelo elétrico ID.4 nos Estados Unidos, as despesas com a reestruturação e os custos associados à venda planeada da fábrica de Osnabrück (no oeste da Alemanha), que deverá ser convertida para o setor da defesa.
"Estamos a sentir o peso das tarifas aduaneiras norte-americanas, o mercado chinês está a encolher e, na Europa, a pressão competitiva está a intensificar-se consideravelmente", explicou o diretor financeiro da empresa, Arno Antlitz, citado no comunicado.
Na China, as entregas de veículos no terceiro trimestre caíram 38,5%, totalizando 405.800 unidades, segundo dados divulgados anteriormente pela Volkswagen.
Neste cenário, o grupo, que detém 10 marcas (VW, Audi, Porsche, Seat, entre outras), registou, entre julho e setembro, um prejuízo operacional de quase 5,9 mil milhões de euros, o que equivale a uma margem negativa de 7,8%. Nos primeiros nove meses do ano e sem ter em conta fatores excecionais, a margem operacional terá atingido 3,8%.
Face à concorrência chinesa, a Volkswagen reduziu, em meados de setembro, as previsões para 2026, passando a projetar uma margem de, no máximo, 1%, face aos 4% a 5% anteriormente estimados.
Envolvido num amplo programa de reestruturação, integrado num acordo com os sindicatos que prevê a eliminação de até 100 mil postos de trabalho, o grupo, que conta com cerca de 648 mil colaboradores em todo o mundo, procura poupar um total de 31 mil milhões de euros.
Entre julho e setembro, a receita da Volkswagen totalizou 75,3 mil milhões de euros, uma quebra de 6,3%.