Votação sobre fundo de resgate no parlamento alemão é prova de fogo para Merkel
Berlim, 28 set (Lusa) - O parlamento alemão (Bundestag) vota na quinta feira as alterações ao fundo de resgate europeu (EFSF), que deverão ser aprovadas por ampla maioria, embora alguns deputados da coligação liderada por Angela Merkel tencionem votar contra ou abster-se.
Se democratas cristãos e liberais não conseguirem acionar a sua própria maioria governamental, o sim está garantido, porque a oposição social-democrata e ambientalista já anunciou o apoio ao projeto.
No entanto, com a falta de união nas fileiras do governo no hemiciclo, poderá abrir-se uma crise no executivo do maior país da União Europeia, que em última análise redundaria na sua demissão, obrigando a eleições antecipadas.
Para evitar este cenário, Merkel e outros dirigentes da CDU têm-se desdobrado em contactos com deputados mais renitentes, para reunir pelo menos 311 dos 330 votos de que as bancadas da coligação dispõem, garantir a maioria num universo de 620 deputados e evitar que a reforma do EFSF só passe no Bundestag graças à oposição.
A chanceler recusou-se, no entanto, a associar a votação do EFSF à apresentação de uma moção de confiança ao governo, evitando subir a parada e aumentar a pressão sobre os deputados democratas-cristãos e liberais que estão contra novos compromissos perante os parceiros da moeda única.
Num ensaio geral de votação realizado na terça-feira entre os deputados da CDU e do partido irmão da Baviera, a CSU, houve 11 votos contra e duas abstenções, e alguns deputados que declararam opor-se às mudanças no EFSF não estiveram presentes.
Quanto aos liberais, anunciaram que nas suas fileiras deverá haver dois votos contra e duas abstenções, pelo menos.
Subsiste assim a dúvida até ao momento da votação para saber se o número de renitentes nas hostes do governo ultrapassará ou não os 19 deputados, o que significaria que a coligação não conseguiu acionar a sua própria maioria.
Em derradeira tentativa para evitar um fiasco, as direções dos grupos parlamentares dos democratas-cristãos e dos liberais decidiram associar a aprovação das alterações ao EFSF ao alargamento dos poderes do parlamento em decisões relativas à concessão de ajudas países da zona euro, indo mesmo além do que o Tribunal Constitucional exigiu, em acórdão proferido no princípio do mês.
Com as alterações propostas, na sequência das decisões tomadas a 21 de julho, em Bruxelas, pelos líderes da zona euro, o EFSF passará a dispor de um volume operativo de 440 mil milhões de euros, o que significa que a Alemanha, o maior contribuinte para o fundo, aumentará o valor máximo das garantias bancárias a conceder de 123 mil milhões para 211 mil milhões de euros.
O remodelado EFSF passará também a poder comprar dívida pública de países do euro no mercado secundário e a refinanciar a banca, mas só com o acordo unânime dos 17 países membros.
O reforço do EFSF já foi aprovado nos parlamentos da França, Espanha, Itália, Bélgica e Luxemburgo, e também na Grécia e na Irlanda, que pediram ajuda externa aos parceirso europeus e ao FMI.
Para hoje estava ainda prevista a votação na Finlândia, para quinta feira na Alemanha e na Estónia, e para sexta feira na Áustria, e também na segunda câmara legislativa alemã, o Bundesrat.
Ficam assim a faltar nove países, entre os quais Portugal.
A maior incógnita é o resultado da votação na Eslováquia, a última que está agendada e onde um dos quatro partidos do governo recusa aprovar o EFSF.