Wall Street fecha em alta e conclui primeira semana positiva desde há 2 meses

por Lusa

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em alta, concluindo uma semana positiva pela primeira vez desde há dois meses, com os investidores tranquilizados, na véspera de um longo fim de semana, por um indicador de inflação nos EUA.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average avançou 1,76%, para os 33.212,96 pontos, com todos os 30 valores que o integram a concluírem com ganhos.

Da mesma forma, o tecnológico Nasdaq progrediu 3,33%, para as 12.131.13 unidades, e o alargado S&P500 valorizou 2,47% para as 4.158,24.

Este foi o primeiro ganho semanal em oito semanas para o Dow Jones e em sete semanas para os outros dois.

Pressionados pela inflação, pelo impacto do ataque russo à Ucrânia, pela subida das taxas de juro e os temores de recessão, os investidores em Wall Street viveram o pior início de ano bolsista desde 1970, segundo os analistas da LPL Financial. E esta sequência de oito semanas de baixa foi inédita em quase um século, desde 1923.

Mas, hoje, o Departamento do Comércio divulgou um número sobre a inflação, muito bem recebido pelos investidores, e dados sobre o consumo, que mostram que as famílias continuam a gastar, o que é considerado bom para a principal economia mundial.

"Começamos a ver fatores construtivos que restauram a ideia de que o consumidor norte-americano está bem ativo, apesar de prudente", resumiu Quincy Krosby, da LPL Financial. "E o índice de inflação PCE (sigla em Inglês para Índice dos Preços das Despesas de Consumo Pessoais) sugere que a inflação pode ter atingido um pico. Isto ajudou a disposição dos investidores", acrescentou esta operadora.

O índice de preços no consumidor (IPC), que atrai mais atenção mediática, é divulgado nos EUA pela agência das Estatísticas do Trabalho, ao passo que o PCE é divulgado pelo Gabinete de Análise Económica.

O crescimento dos preços parece ter estagnado em abril, segundo o índice PCE do Departamento do Comércio, que é o indicador preferido da Reserva Federal, com a subida dos rendimentos a perder força e as famílias a travarem as suas despesas.

A inflação foi de 6,3% em termos anuais em abril, depois dos 6,6% em março. Em termos mensais, a diminuição foi ainda mais acentuada, de 0,2%, face a 0,9% no mês passado.

Já os rendimentos progrediram 0,4% em relação a março e as despesas de 0,9%.

"Estes números, se bem que próximos das expectativas, esboçam uma situação um pouco melhor da inflação", opinou Tom Cahill, da Ventura Wealth Management, sublinhando que o mercado estava com uma tendência excessiva de venda e "com uma disposição muito negativa".

Por seu lado, Chris Low, do FHN, admirou-se da resistência do consumidor, "que, apesar de uma subida dos seus rendimentos abaixo do da inflação, continuou a gastar graças às suas poupanças".

A subida dos títulos assenta também em outros sinais de otimismo, dando a entender que a recuperação se vai solidificar nas próximas semanas. "Começamos a discernir compras internas e menos vendas", isto é, empregados ou quadros de sociedade que compram as ações das suas próprias empresas, "porque acreditam nos lucros das suas sociedades", sublinhou Quincy Krosby.

Por outro lado, os investidores admitem que a Reserva Federal não venha a ser tão severa quanto ao endurecimento da política monetária: "Vê-se que as expectativas se tornam mais incertas quanto a uma subida da taxa de juro de referência em 50 pontos-base em julho, depois da que já espera para junho", realçou Tom Cahill.

Na segunda-feira, a praça nova-iorquina vai estar fechada por ser dia feriado, relativo ao Memorial Day, celebrado na última segunda-feira para honrar os militares dos EUA mortos em combate.

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