Wall Street fecha em baixa com Médio Oriente, dívida e petróleo a imporem-se
A bolsa nova-iorquina terminou a sessão de hoje em baixa, após uma nova subida dos rendimentos obrigacionistas, em fundo de incertezas ligadas ao Médio Oriente e os riscos de inflação que continuam elevados.
O resultado da sessão indica que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average recuou 0,68%, o tecnológico Nasdaq cedeu 1,13% e o alargado S&P500 baixou 0,75%.
Depois de duas sessões em alta, nas quais o Nasdaq chegou a estabelecer um novo recorde no fecho, os índices perderam vigor, devido à combinação da subida das cotações do petróleo e dos rendimentos obrigacionistas", disse Angelo Kourkafas, da Edward Jones, em declarações à AFP.
Os operadores de mercado ficaram a conhecer hoje que a atividade no setor privado nos EUA em setembro, medido pelo índice PMI Flash, gerido pela S&P Global, teve o crescimento mais forte desde 2021, o que foi uma surpresa.
"Pensamos que a Reserva Federal vai continuar a subir a sua taxa de juro de referência e que não vai ser uma ação pontual, razão pela qual os rendimentos obrigacionistas sobem", apontou Kourkafas.
Os investidores entendem que a boa saúdea da economia norte-americana não precisa de demonstração, pelo que o banco central pode continuar a concentrar-se na parte do seu mandato relativa ao limite da subida dos preços em dois por cento.
Esta perspetiva levou o rendimento do título de dívida federal a 10 anos para 5,11% - o valor mais elevado desde 2007 -, depois dos 4,96% da véspera.
"A economia está em vias de absorver os rendimentos mais elevados considerando as tendências de crescimento atuais (...), mas é a rapidez do movimento, não a sua amplitude, que suscita inquietação", relativizou Angelo Kourkafas.
"Para uma variação de um único dia, a subida das taxas foi considerável", acrescentou.
Este movimento foi alimentado também pelas subidas das cotações do petróleo, depois de cinco dias de baixa.
"Os investidores interrogam-se sobre a existência de uma via realista para a paz entre os EUA e o Irão", apontou Jose Torres, da Interactive Brokers.
"Eles procuram conciliar a retórica intransigente de Trump na ONU com o seu tom mais conciliador sobre as discussões com Teerão", que considerou serem "muito boas", acrescentou.
Por outro lado, os investidores aguardam pelos resultados da visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, onde deve chegar esta noite, para discutir com Trump assuntos como comércio e inteligência artificial.