Wall Street fecha em baixa com regresso das inquietações com custo da dívida

Wall Street fecha em baixa com regresso das inquietações com custo da dívida

A bolsa nova-iorquina fechou hoje em baixa, com o regresso das inquietações com o nível elevado do custo da dívida, perante a ausência de notícias suscetíveis de orientar as transações no sentido da alta.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O resultado da sessão indica que, depois dos recordes que conseguiram na véspera, os índices S&P500 e Nasdaq encerraram a perder 0,22%, ao passo que o seletivo Dow Jones Industrial Average recuou 0,66%.

"A evolução das taxas das obrigações do Tesouro, no caso, a sua tendência para subir, constituiu um travão para o conjunto do mercado", apontou Patrick O`Hare, da Briefing.com, em declarações à AFP.

O rendimento daqueles títulos a 10 anos alcançou os 5,36%, um máximo desde 2002.

Ao longo do dia, contudo, baixou, devido em particular à emissão de uma emissão de dívida no montante de 39 mil milhões de dólares, que suscitou interesse dos investidores, o que foi interpretado como atração das emissões de dívida soberana que paguem acima de cinco por cento.

Perto da hora do fecho do mercado, aqueles títulos a 10 anos evoluíam em torno dos 5,28%.

"Os investidores estão inquietos quanto à evolução das taxas de juro", preveniu O`Hare.

Estas sobem com o amento das perspetivas de inflação: os investidores exigem um prémio mais elevado para manter as suas margens, além de que a perspetiva de um endurecimento monetário por parte da Reserva Federal (Fed) também se faz sentir.

A maior parte dos dirigentes do banco central consideram que "uma nova baixa da taxa" de juro de referência "seria apropriada até ao final do ano", para acalmar a inflação, segundo a ata das suas discussões divulgada hoje.

"Os investidores em ações questionam-se se as cotações bolsistas podem continuar a subir" face ao contexto tenso no mercado obrigacionista, notou Jose Torres, da Interactive Brokers.

"Muito vai depender da capacidade dos lucros das empresas em compensar ainda durante muito tempo os ventos contrários no mercado de crédito", acrescentou.

Os grandes bancos vão abrir a nova época de apresentação de resultados na próxima semana. Hoje fecharam em baixa, como o TD Bank (-3,65%) ou o JPMorgan Chase (-0,51%).

As expetativas são elevadas, em particular as relativas ao ecossistema da inteligência artificial, motor do mercado.

"Ainda há muita esperança e confiança na ideia de o crescimento global dos lucros vai ser forte o suficiente para manter o S&P500 a um nível elevado", disse O`Hare.

"Deveremos ver um crescimento dos lucros entre 30% a 32% no terceiro trimestre. Mas o que nos interessa são as previsões das empresas para os próximos meses", destacou Nancy Tengler, da Laffer Tengler Investments.

 

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