Wall Street fecha em baixa pela tecnologia e sem surpresa com escolha para Fed
A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em baixa, arrastada pelo setor tecnológico, a acolher sem grande surpresa o nome proposto por Donald Trump para presidir à Reserva Federal (Fed).
Os resultados da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average cedeu 0,36%, o tecnológico Nasdaq caiu 0,94% e o alargado S&P500 recuou 0,43%.
"O sentimento de aversão ao risco [que incita a desfazer-se de algumas ações] continua a reinar em Wall Street", resumiu Jose Torres, da Interactive Brokers.
Este analista nota "uma nova sessão de desempenho abaixo do esperado dos títulos tecnológicos em relação ao conjunto das ações". O setor dos semicondutores foi particularmente afetado, com a AMD a recuar 6,13%, a Micron 4,80% e a primeira capitalização mundial, a Nvidia 0,72%.
Anunciada algumas horas antes da abertura da praça bolsista, a decisão de Trump de propor Kevin Warsh para futuro presidente da Fed marcou o dia.
Warsh é um personagem dos meios de negócios e já integrou o corpo dos governadores da Fed, entre 2006 e 2011.
Para Jack Ablin, da Cresset, "Kevin Warsh sempre foi um pouco mais `falcão` [defensor de políticas monetárias restritivas] do que os outros nomes falados" pela Casa Branca, para suceder a Jerome Powell.
Na sua opinião, "uma parte" da baixa da taxa de juro é devida à ideia de que o futuro dirigente da Fed "poderá não ser tão acomodatício como os investidores querem".
Os investidores bolsistas veem geralmente com bons olhos a baixa da taxa de juro de referência da Fed, que equiparam a futuras subidas dos lucros das empresas.
"Warsh é historicamente um `falcão` e manteve ao longo da sua vida uma ortodoxia em matéria de política monetária disciplinada (...), mas, entretanto, passou a partilhar a preferência de Trump por custos de crédito mais baixos, o que provavelmente lhe valeu ser selecionado", considerou Torres.
Para ser efetiva, a nomeação de Warsh tem de ser conformada pelo Senado, onde os republicanos são maioritários.
Nos indicadores, o índice de preços na produção nos EUA subiu 0,5% em dezembro, em série, mais do que antecipado pelos economistas.