Wall Street fecha em forte alta a celebrar a vitória eleitoral dos democratas
A bolsa nova-iorquina encerrou hoje com uma forte alta, a saudar a vitória eleitoral dos democratas, que dissipa as incertezas políticas e leva a esperar uma desescalada no Médio Oriente.
O resultado da sessão mostra que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average avançou 3,03%, o tecnológico Nasdaq progrediu 1,44% e o alargado S&P500 ganhou 1,58%.
"A incerteza ligada às eleições intercalares está atrás de nós", resumiu Jose Torres, analista da Interactive Brokers.
Os democratas obtiveram uma maioria nas duas câmaras do Congresso, no final das eleições que constituíram um desastre para Donald Trump e os republicanos.
"A queda dos preços do petróleo e o recuo acentuado das taxas de juro", consequências da vitória dos democratas, alimentaram "uma poderosa recuperação em Wall Street", especificou Jose Torres.
Quando o novo Congresso estiver instalado em janeiro, os democratas podem, com efeito, "procurar limitar os financiamentos afetados à guerra", admite Andy Lipow, da Lipow Oil Associates, em declarações à AFP, o que "pode forçar Donald Trump" a acabar com a guerra.
Os preços do petróleo caíram hoje mais de oito por cento, o que leva a esperar um alívio na frente da inflação.
Por outro lado, "a vitória dos democratas significa o regresso a uma governação dividida em Washington", apontaram os analistas da Schroders. Ora, "esta situação é historicamente favorável aos mercados, porque um bloqueio institucional limita as despesas públicas".
Neste contexto, no mercado obrigacionista, o rendimento do título da dívida federal a 10 anos baixou para 4,89% dos 4,96% de terça-feira.
Durante a noite, os contratos de futuros dos principais índices bolsistas caíram de forma clara, no seguimento da divulgação dos resultados eleitorais, devido às inquietações em torno de um enquadramento mais severo da inteligência artificial (IA).
Em particular, os investidores receiam que "as vitórias de candidatos democratas em Estados-chave como o Texas não diminuam o ritmo de desenvolvimento dos centros de dados dedicados à IA", detalharam os analistas da Briefing.com.
Os semicondutores, indispensáveis para construir estas infraestruturas, fecharam em perda, casos de Nvidia (-3,17%), Micron (-7,00%) e Intel (-3,77%).
Os conglomerados tecnológicos, que injetam milhares de milhões de dólares no desenvolvimento da IA, pelo contrário, valorizaram, como Meta (+1,44%), Apple (+5,31%), Amazon (+6,12%) e Microsoft (+6,68%).
"De certa maneira, as pessoas congratulam-se com a ideia de que o setor possa se preservado das suas piores tendências", sublinhou Steve Sosnick, da Interactive Brokers, em declarações à AFP.
Outros analistas consideram que um enquadramento mais importante da IA pode limitar o risco de sobre-investimento na tecnologia, um tema que tem inquietado Wall Street nas últimas semanas.
Quanto a indicadores, os investidores ficaram a conhecer os resultados do inquérito ADP/Stanford sobre o emprego, segundo os quais as empresas privadas criaram 86 mil empregos em outubro, menos do que em setembro (90 mil), mas mais do que esperado pelos analistas, que apontavam para 75 mil.