Zona pedonal de Braga aumenta para 130 mil metros quadrados «centro comercial ao ar livre»
Braga, 14 Mai (Lusa) - A cidade de Braga vai aumentar a sua área pedonal em 20 mil metros quadrados, atingindo os 130 mil em 2009, o que permite ao Município defender que a zona histórica é um "centro comercial ao ar livre".
Em declarações à agência Lusa, o director da Divisão de Renovação Urbana, Pedro Lopes, disse que o conceito de centro comercial se apoia quer numa extensa zona pedonal, quer na existência de dois parques de estacionamento, na Arcada e no Campo da Vinha.
O alargamento do perímetro reservado a peões resulta da obra de prolongamento do túnel da Avenida da Liberdade, que se vai iniciar, a curto prazo, devendo estar concluída em 2009.
"Temos um centro histórico vivo, onde está instalado o melhor comércio, e onde estão a ser feitos grandes investimentos em lojas, de marcas como as da Benetton, da HIM, ou da Massimo Dutti", declarou.
Para além dos dois parques de estacionamento - localizados no coração da cidade e com capacidade para recolher 1.600 automóveis - o centro urbano tem um sistema de gestão do acesso às lojas comerciais, em horário que se prolonga das 20:00 da noite às 11:00 da manhã.
Pedro Lopes diz que a experiência de devolução da cidade aos peões tem sido um sucesso, já que o centro histórico se mantém como a sua principal zona cívica e económica: "conseguiu-se manter o núcleo urbano mais antigo, não só comércio mas também com habitação", afirma.
O único senão do trabalho de recuperação e manutenção da área pedonal - assinala - é o facto de haver "alguma destruição de mobiliário urbano por vandalismo" e de os automobilistas ainda tentarem ocupar passeios, o que obriga à colocação de obstáculos, algo sempre desagradável em termos funcionais e estéticos.
O centro histórico da cidade tem duas praças de grande dimensão, a Conde de Agrolongo - vulgarmente chamada Campo da Vinha - e da Arcada, o principal ex-libris da cidade, que tem nas traseiras a Torre de Menagem do antigo castelo de Braga.
O centro mantém, ainda, uma forte componente comercial e de serviços, numa área extensa que vai da antiga entrada da urbe, o Arco da Porta Nova, ao Largo da Senhora-a-Branca, numa extensão de um quilómetro e meio.
Envolve, ainda, várias dezenas de lojas num eixo que vai do Campo da Vinha à Avenida da Liberdade, passando por artérias anexas como a Rua dos Chãos e o Largo de São João do Souto.
Esta longa área pedonal é, de parceria com os santuários religiosos do Bom Jesus e do Sameiro, a zona turística de Braga, com diversos monumentos barrocos, e outros mais antigos como a Sé Catedral - medieval -, e as ruínas romanas, da Fonte do Ídolo e do balneário das Carvalheiras.
Apesar da singularidade do centro histórico, a Associação Comercial de Braga diz que a renovação do comércio tradicional, não foi suficiente para fazer frente à concorrência das grandes superfícies: "está muito difícil para o comércio, a facturação caiu muito por causa da queda do poder de compra e as empresas lutam para sobreviver", afirma o presidente do organismo, Alberto Pereira.
O líder dos comerciantes lembra que têm havido fechos e mudanças de ramo por causa da crise e considera que, se os horários dos hipermercados forem liberalizados a situação vai piorar.
"O centro histórico tem lojas modernas e atraentes mas a zona está vazia de pessoas, nomeadamente a partir das 17 horas, porque pouca gente vive aqui", afirma.
Alberto Pereira, ele próprio dono de uma loja no centro, lamenta que as autarquias do distrito não façam como a de Vila Real que "chumbou" a instalação de novos "hipers": "Aqui aprova-se tudo sem saber se há mercado suficiente", acusa.
A cidade de Braga vai ter, dentro de meses, mais dois hipermercados, o Leclerc e o Lidl, já em construção, e um terceiro a instalar no futuro centro comercial "Espaço Braga", a construir até ao final de 2009 pela imobiliária francesa "Bouygues".
Em construção está já o "Dolce Vita", um centro comercial do grupo espanhol "Chamartin".