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"Não disputo eleitorado nenhum com o CDS", diz Rui Rio

"Não disputo eleitorado nenhum com o CDS", diz Rui Rio

O presidente do PSD considera que não disputa eleitorado com o CDS-PP, mas com o PS, não se arrepende de não ter feito uma coligação pré-eleitoral com os democratas-cristãos e admite que poderia "ligar bem" com Assunção Cristas.

Lusa /

Em entrevista à Agência Lusa, que será divulgada na íntegra no domingo, Rui Rio antecipa que o debate que terá hoje à noite com a líder do CDS-PP, na SIC, - o primeiro em que participa - será convergente nas críticas ao Governo socialista, com "alguma ou outra diferença" em matéria de propostas.

"Historicamente, neste ponto ou noutro, o PSD disputou eleitorado com o CDS, comigo o PSD não disputa eleitorado nenhum com o CDS. O CDS é um partido de direita - e bem, tem de haver partidos democráticos de direita -, o PSD não é um partido de direita genuinamente desde a sua fundação (...) é social-democrata, somos um partido de centro", afirmou.

"Disputo eleitorado ao centro, eu disputo mais eleitorado ao PS do que com o CDS, como é evidente", frisou.

Quanto ao debate com Assunção Cristas, Rio admite que pode haver "um ou outro ponto em que o CDS venha a defender uma posição mais à direita, mais conservadora".

"Naquilo que forem as críticas ao governo, vamos ter provavelmente uma convergência muito grande. Naquilo que forem as propostas, pode-se notar aqui ou acolá uma ou outra diferença, se as coisas fossem para o capítulo ideológico notavam-se mais diferenças", disse, acrescentando que, pessoalmente, não tem "nada de direita" e é "social-democrata pelo menos desde os 15, 16 anos".

Questionado se se arrepende de não ter feito uma coligação pré-eleitoral com o CDS, Rio respondeu negativamente.

"Não, a única vantagem da coligação pré-eleitoral é realmente o método de Hondt. Por meras razões matemáticas, as coligações acabam por dar mais dois ou três deputados no final. No entanto, acho que apesar de tudo é saudável que os partidos se apresentem em listas próprias, como se apresentaram em 2011 e depois fizeram Governo", recordou.

O líder do PSD considerou que em 2015 "fazia sentido" PSD e CDS irem a votos em listas conjuntas, depois de quatro anos coligados no Governo, tal como nas listas da Aliança Democrática (AD) de Sá Carneiro, em que, no final dos anos `70, "era preciso uma grande frente à direita do PS".

"Hoje não, é saudável os partidos irem com listas próprias, têm os seus projetos, marcam algumas diferenças, quanto mais não seja na postura e na maneira de estar, para lá da componente ideológica. E depois há um resultado eleitoral e o lógico é que, sendo necessário para formar uma maioria, haja uma coligação", considerou.

Rio repetiu que nunca perdeu uma eleição e lembrou que as que ganhou "foram todas com o CDS", frisando, contudo, que quaisquer coligações "têm muito a ver com as afinidades entre as lideranças".

"O dr. Francisco Sá Carneiro e o professor Freitas do Amaral ligavam bem, o dr. Pinto Balsemão com o professor Freitas do Amaral não ligavam bem", disse.

Questionado se Rui Rio ligaria bem com Assunção Cristas, respondeu, depois de uma pausa: "Eu penso que há condições para ligar bem, pode não ligar, só a experiência o dirá, mas não vejo razões porque não há de ligar bem".

"Se tivesse sido há uns anos talvez (fosse) mais difícil, agora ela tem mais experiência, esteve no governo uns anos, é líder do CDS há uns anos... A experiência, a força da idade, isso é suficiente para as pessoas encaixarem na política", considerou.

Sobre a importância deste período de pré-campanha, muito marcado por debates e entrevistas, o líder do CDS admitiu ser "um tempo que vale bastante", considerando que há mais indecisos até ao fim do que há alguns anos.

"Tem importância o todo. No caso do Governo, os quatro anos da governação, tem importância nos partidos da oposição o que foram dizendo e fazendo ao longo desses quatro anos (...) É um tempo que vale bastante, depois ainda tem a campanha eleitoral propriamente dita que também vai contar", considerou.

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