Cotrim insurge-se contra alegadas pressões do PSD sobre militantes que votam diferente. "Deixem as pessoas escolher livremente"

No mercado do Livramento, em Setúbal, João Cotrim de Figueiredo foi interpelado por vários apoiantes, mas um deles acabou por marcar o dia de campanha.

Oriana Barcelos /

Foto: Oriana Barcelos

Esteve com a comitiva do candidato liberal desde o início da visita, mas só a meio, entre as bancas do peixe, e com as câmaras e os microfones apontados, decidiu dizer ao que vinha: militante do PSD, vai votar Cotrim, e como ele há muitos outros que, por medo de represálias, não querem dar a cara. "Mas eu estou aqui para dar a cara. Não temos de ter medo, que a gente não vive no tempo do Salazar. Somos livres", disse.

A intervenção foi o mote ideal para, pouco depois, João Cotrim de Figueiredo revelar, aos jornalistas, que não é a primeira vez que ouve casos semelhantes. O que é grave, sublinha. "Se há, dentro do PSD, quem acha que pode pressionar pessoas que vão votar de forma diferente - e que isso pode, em 2026, condicionar a escolha dos portugueses - isso é muito grave: é porque se acham donos dos votos das pessoas e donos das consciências das pessoas. Eu espero que sejam apenas casos isolados e não haja nenhuma manobra, mais ou menos orquestrada, para pressionar pessoas que sejam militantes notórias do partido em várias regiões, para não votarem noutros candidatos - em mim ou noutro qualquer", assinalou o candidato. Cotrim de Figueiredo espera que o partido que está a apoiar Marques Mendes deixe espaço para a escolha livre. E aponta caminhos: "As pessoas não estão a escolher Marques Mendes? Façam uma campanha melhor. Vejam o que é que os outros estão a fazer, não critiquem o tik-tok ou isto ou aqueloutro - façam melhor, façam por si", atirou.

Uma semana de campanha depois, as sondagens diárias dão conta de um crescimento consistente da candidatura de Cotrim. São números animadores que não iludem, mas também não surpreendem o candidato. "Para a campanha, que sempre disse que ia à segunda volta, e que tinha uma estratégia para ir crescendo, este nível de votação, sendo verdade, também não é surpreendente. Temos de a ter na última semana de campanha, obviamente. Portanto, está tudo a correr mais ou menos de acordo com o previsto. E, já agora, se querem que eu faça uma profecia, esta última semana vai acelerar este fenómeno de as pessoas perceberem que há, dentro das hipóteses da candidatura a Presidente da República, uma candidatura que é diferente, mas ao mesmo tempo confiável, que é moderna, mas ao mesmo tempo respeitadora das instituições, e que, por isso, vai atrair cada vez mais gente que estava insatisfeita noutras candidaturas. É normal, é o chamado 'momentum' da campanha. Esse está do meu lado e não o vou perder", assinalou.

Até 18 de janeiro ainda há muita gente para convencer. Como Joana, que está na banca da avó, a vender fruta e legumes. Não gosta de liberais. Cotrim de Figueiredo aproveita para lhe perguntar porquê, enquanto lhe compra os frutos favoritos, os peros de Esmolfe. Ela responde que os liberais põem os pobres para baixo e enaltecem os ricos. Cotrim pergunta-lhe onde é que ela viu isso - "nos vídeos" das redes sociais? Ela diz que não: é informada, viu e leu nas notícias. O candidato não se demora, a conversa seria demasiado longa para ter ali, na confusão. Mas depois, houve troco: "Espera aí: não me disseste que era um euro? Eu acho que só te dei um, querida. Dei dois? Estás a ver como não quero pôr os pobres para baixo?".
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