Seguro pede travão na "euforia" em dia de apoio socialista e de visita à terra da avó de Marcelo

Foi um aviso feito na reta final de um almoço, na Póvoa de Lanhoso, em que António José Seguro contou com a presença de centenas de pessoas e com o apoio de figuras do PS como Álvaro Beleza, o eurodeputado Francisco Assis ou Sérgio Sousa Pinto.

João Alexandre /

Fotos: José Coelho, Lusa

O candidato apoiado pelos socialistas não quer qualquer tipo de desmobilização ou euforia desmedida à boleia dos números das sondagens e, depois de ouvir o líder do PS, José Luís Carneiro, pedir "entrega e compromisso" para colocar Seguro na segunda volta das eleições, deixou claro que, na candidatura, até dia 18 de janeiro, só há pés assentes na terra.

"Eu sei que as sondagens podem criar alguma euforia em algumas pessoas. Nada está a ganho, só está a ganho quando se contarem os votos", afirmou, nos instantes finais de um discurso em que quis responder a quem questiona a proximidade do candidato com os socialistas: "Perguntam-me se tenho orgulho no apoio do PS. Claro que tenho orgulho", disse, ainda antes de insistir que a candidatura é "suprapartidária" e que, se for eleito, será o presidente de "todos" os portugueses.

Antes, já José Luís Carneiro tinha voltado a carimbar António José Seguro com o apoio do PS, salientando que Seguro não é um "candidato partidário", mas que tem o "apoio de todo o PS" nesta candidatura, num almoço em que ficaram a cargo do secretário-geral socialista as despesas dos ataques a dois candidatos em particular: André Ventura e João Cotrim de Figueiredo.

"Um candidato que diz que não quer ser o candidato de todos os portugueses. O que é que está a fazer nesta candidatura?", questionou, numa referência ao presidente do Chega. 
Quanto ao líder da Iniciativa Liberal, Carneiro acusa-o de querer colocar o Governo "sob tutela do presidente da República, considerando que Cotrim Figueiredo se mostrou disponível para apoiar o Executivo da de Luís Montenegro "sob condições" e se o Governo "lhe fizesse a vontade".

"De uma penada, atingiu e feriu o princípio da separação de poderes que é fundamental na nossa Constituição e em relação ao qual mostra não estar preparado para o desempenho dessa função política", insistiu.

"Próximo PR tem de ser uma pessoa com coerência. Não um catavento", diz Seguro
Num dia passado entre o Minho e o Grande Porto, António José Seguro rumou a Celorico de Basto, terra associada a Marcelo Rebelo de Sousa, onde o candidato discursou no auditório do Centro Cultural com o nome do atual presidente.

Perante cerca de 200 pessoas, Seguro disse-se surpreendido com a adesão e, no palco, onde fez questão de se referir à cidade como "uma das casas" que tem no país, afirmou também que já pensa na passagem da pasta.... e num abraço simbólico do ainda chefe de Estado.

"Tenho muito gosto em estar aqui nesta sala, que tem o nome do atual presidente da República.E, eu espero, naturalmente, no dia 9 de março, receber um abraço dele na transição de poderes como presidente da República", apontou.

Mas, em Celorico de Basto, em pleno Centro Cultural Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, António José Seguro quis também afirmar uma outra ideia sobre o que entende ser a forma de atuação de um chefe de Estado: "Tem de ser uma pessoa com coerência. Não um catavento, que diz o que quer em cada circunstância que é útil".    
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