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"Não é honesto começar um processo negocial com linhas vermelhas". PS promete espírito aberto

"Não é honesto começar um processo negocial com linhas vermelhas". PS promete espírito aberto

No dia em que o primeiro-ministro recebe o Partido Socialista (PS) e o Chega (CH) para ouvir as propostas dos dois partidos para a crise da habitação, os socialistas garantem que "não temos linhas vermelhas no processo negocial".

Andreia Brito com Natália Carvalho /

Fotografias: Ana Lourosa

No programa da Antena 1, Entre Políticos, Luís Testa afirmou que "não é honesto, do ponto de vista intelectual, começar um processo negocial com linhas vermelhas" e adianta que "partimos para este processo negocial de espírito aberto".

O deputado adianta que é desejável chegar a acordo entre Governo e partidos, "aliás espero que o Governo perceba finalmente que estamos numa situação limite", conclui. E não iliba o PS: "todos os políticos são responsáveis pelo estado a que chegámos e todos os políticos têm a responsabilidade de nos tirar do estado a que chegámos".
Luís Testa mostrou-se muito crítico do acordo assinado entre o PSD e o CH para introduzir, na discussão na especialidade, alterações ao pedido do Governo para rever o Novo Regime do Arrendamento Urbano.

"Como é que o CH não disse «isto tem de ser uma proposta de lei do Governo para ser discutida em toda a sua matéria na Assembleia da República (AR)»?". E vai mais longe: "o CH anuiu a que o Governo pedisse autorização legislativa à AR para legislar nesta matéria em concreto e, portanto, a mim, parece-me estranho que agora o CH venha dizer que está disponível para voltar ao debate". 

"É uma grande trapalhada em que o CH se envolveu", atira.
"Não, não estamos disponíveis para rasgar esse acordo"
Em defesa do CH Patrícia Almeida replica dizendo que o PS promove uma "trapalhada legislativa" que é "uma falácia para enganar quem está na rua".

A deputada entende que "dizer que o CH aprovou a lei do arrendamento com o PSD é criar alarme social porque os manifestantes estão na rua a manifestar-se com uma lei em vigor aprovada pelo PS e no tempo do PS".

No Entre Políticos, Patrícia Almeida assegura que "o CH está disposto a negociar desde que haja uma discussão e um acordo bilateral. Desde que aquilo que metemos em cima da mesa, seja considerado" e garante que "não colocamos linhas vermelhas à lei do arrendamento. Não estamos a dizer que a vamos chumbar".

E pergunta a jornalista Natália Carvalho: "estão disponíveis para rasgar esse acordo se não conseguirem influenciar o Governo?". Responde a deputada: "não, não estamos disponíveis para rasgar esse acordo porque se há um acordo é porque o PSD também cedeu a esse acordo".
Em relação às negociações que o partido inicia com o primeiro-ministro, Patrícia Almeida acusa o partido que sustenta o Governo: "mais uma vez o PSD entra para a negociação a dizer que o que tem de prevalecer são as medidas do Governo" e conclui que "mais do que acordo A, B ou C subscrito por A, B ou C, seja quem for que assine esse acordo temos de dar soluções para o imediato e para o futuro".
"Governo não tem a arrogância de supor que unilateralmente consegue aprovar o que quer que seja"
No programa da Antena 1 Entre Políticos Cristóvão Norte defende que o processo de audição dos partidos exige "abertura de espírito e não impor unilateralmente os nossos entendimentos" porque assume que "o Governo não tem a arrogância de supor que unilateralmente consegue aprovar o que quer que seja".

"Cabe ao Governo liderar o processo. Isso significa que os princípios fundamentais de uma política articulada de habitação devem obedecer a um entendimento de que as medidas que foram tomadas não foram suficientes para atenuar os efeitos", afirma o deputado.

Ainda assim, reforça que "temos um projeto de mudança que se realiza melhor quão maior for a nossa ambição e quanto menor for a resistência para a sua concretização".
Na Antena 1 Cristóvão Norte recusa que o Governo não se tenha articulado sempre com a oposição e acrescenta que "no hemisfério da mudança reside o PSD e talvez a IL. Os outros, por razão ideológica, por oportunismo ideológico, não estão, em regra, disponíveis para sofrer as consequências de medidas estruturais".

No contexto das negociações entre o Governo e os partidos para resolver a crise da habitação o deputado deseja que "não apenas que haja acordo. Espero que haja um bom acordo, porque se for um acordo que não mude nada e deixe tudo como está, quem vai pagar isso são os portugueses".

O programa Entre Políticos foi moderado pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho.
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