António Costa e Catarina Martins: o frente-a-frente na íntegra

por RTP

A líder do Bloco de Esquerda acusou o PS de querer retirar às pensões mais de 1.600 milhões de euros nos próximos quatro anos. Costa respondeu que à exceção das pensões mínimas, o PS tem previsto o congelamento das restantes pensões mas não é nenhum corte, dizendo ainda que será feita a atualização das pensões mínimas. Posições que foram trocadas entre a dirigente do Bloco de Esquerda e o secretário-geral do PS num frente-a-frente na TVI24.

O tema da Segurança Social veio aquecer o debate entre António Costa e Catarina Martins, apesar de ambos terem tocado em pontos que unem as propostas neste âmbito: a de que o sistema de Segurança Social é sustentável com a criação de mais emprego e atualizando o sistema de financiamento.

A discussão centrou-se na questão quase semântica sobre "perder" ou "congelar", com Catarina Martins a insistir que a medida apresentada pelo Partido Socialista significa perder dinheiro das pensões, enquanto Costa se bateu por tentar passar a ideia de que congelar as pensões enquanto a inflação for muito baixa não significa corte ou perda.
Bloco disponível para diálogo de governo
A porta-voz do Bloco de Esquerda manifestou-se disponível para um diálogo de Governo, mas António Costa não respondeu.

No seu minuto final, Catarina Martins elencou as condições para um diálogo de Governo entre socialistas e bloquistas. "Se o PS estiver disponível para abandonar esta ideia de cortar 1660 milhões de euros nas pensões, abandonar o corte da TSU (Taxa Social Única) e o regime conciliatório de despedimentos, no dia 5 de outubro cá estarei para que possamos conversar sobre um Governo que possa salvar o país, que possa pensar como reestruturar a sua dívida para termos futuro e emprego".

"Se me disser que sim, ou que vai pensar, já valeu a pena este nosso encontro. Mas se me disser que não as pessoas vão ficar a saber que no dia 05 de outubro o dr. António Costa pretende telefonar a Rui Rio ou a Paulo Portas", acrescentou a porta-voz do Bloco.

António Costa, porém, não respondeu. O secretário-geral do PS referiu que a "governação não é algo de abstrato, mas sim algo de concreto para resolver a vida das pessoas", defendendo em seguida a necessidade de "uma esquerda com capacidade de governar, sem fantasias de nacionalização e nem estar dependente de propostas que implicam a rutura com o euro, porque isso seria a maior tragédia para o rendimento das pessoas, sobretudo daqueles que, ganhando pouco, ficariam ainda com menos".
Reestruturação da dívida pública divide partidos
A proposta do Bloco de Esquerda de reestruturar a dívida foi outro dos pontos quentes do debate, com António Costa a acusar os bloquistas de estarem a prometer algo que não depende apenas do governo português, avisando que o BE devia ter "humildade depois do que aconteceu na Grécia".

O secretário-geral do PS diz que o Bloco não é um contributo para a governabilidade, ao que Catarina Martins contrapôs dizendo que António Costa tem uma visão pequena da democracia.

A porta-voz do Bloco disse que, em grande medida, há proximidade entre o que os socialistas e os bloquistas acham da União Europeia e Monetária, mas diz que Costa depois não retira as consequências dessa análise e que por isso "acaba a fazer o que faz a direita, que é ir às pensões". Catarina Martins diz mesmo que desistir da renegociação da dívida é desistir do país e "estar a querer ser-se um protetorado permanente, o que não aceito".

O tema das nacionalizações foi outro dos assuntos em que os dois partidos divergiram, num debate que começou com um ponto mais consensual sobre a crise dos refugiados e de que papel Portugal e a União Europeia deviam adotar.