BE considera inaceitável não serem mobilizados todos os recursos europeus

BE considera inaceitável não serem mobilizados todos os recursos europeus

O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, considerou inaceitável que não estejam a ser mobilizados todos os recursos europeus, por incúria do Governo, para responder aos impactos de depressão Kristin.

RTP /

Na Marinha Grande, distrito de Leiria, onde hoje visitou as populações afetadas pelas tempestades, José Manuel Pureza defendeu uma "rápida mobilização de todos os recursos que a União Europeia põe ao serviço do nosso país para este tipo de efeitos", considerando que "não é aceitável que, por razões burocráticas ou por incúria", esses recursos não sejam mobilizados.

O coordenador do BE defendeu igualmente "uma presença forte por parte de entidades que fiscalizam margens de comercialização, para evitar que a aflição dê lugar à especulação", algo "não só condenável do ponto de vista moral", como "absolutamente inaceitável".

O bloquista apelou a "uma urgente definição por parte do Governo, de mecanismos financeiros e operacionais para a reconstrução do tecido produtivo que em zonas como a da Marinha Grande".

Em declarações à agência Lusa, no final de uma reunião com o presidente da autarquia, Paulo Vicente, José Manuel Pureza sustentou que "os apoios governamentais tardam, apesar de já terem sido aprovados" e criticou a falta de definição relativamente aos "apoios para a reconstrução de infraestruturas, de capacidade produtiva, de cadeias de distribuição".

Para o coordenador do BE, "a realidade que se vive na Marinha Grande é a expressão de uma calamidade que se abateu sobre as infraestruturas, sobre a comunidade, sobre o território e sobre muitas pessoas, que têm as suas vidas completamente em suspenso".

Da conversa com o autarca e a sua equipa Pureza retirou que "o que está funcionar para aliviar a desgraça das pessoas é, acima de tudo, o trabalho solidário, a entrega solidária por parte de gente desinteressada, que entrega aquilo que tem, aquilo que pode para minorar o sofrimento de muita gente".

Mas para o BE, "o Governo não está a cumprir a sua parte e isso merece uma crítica muito severa da nossa parte".

Numa altura em que "a Kristin passou e o Leonardo está a chegar avizinham-se momentos que podem ser muito complicados", que para a região quer para todo o país, alertou para vincar que "é muito importante que o Governo tome decisões".

Nomeadamente no que respeita "aos trabalhadores que têm horários que podem coincidir com os picos de cheia ou com os picos de catástrofe climática" e que considera que devem ter agora um regime similar ao implementado durante a pandemia de covid-19.

"Sem alarmismo, mas com muito realismo e com muita determinação, o Governo tem que criar condições para que, havendo não só cheias, mas picos de mau tempo que possam pôr em perigo a vida de pessoas, todas essas vidas sejam salvaguardadas", bem como o seu sustento material, concluiu.
PUB