Discurso de encerramento. Nuno Melo diz que Governo herdou "crise social" provocada pelas esquerdas

por RTP

No discurso de consagração após a reeleição como líder do CDS-PP, Nuno Melo deixou uma nota de pesar pela morte do jornalista Pedro Cruz. De seguida, cumprimentou o parceiro de coligação no Governo, o PSD, representado neste congresso por Paulo Rangel.

Destacando que os portugueses votaram pela "mudança" e pelo "diálogo", o presidente do CDS salienta que os dois partidos estão juntos "pela oitava vez na história da nossa democracia".

"Sempre que CDS e PSD juntaram forças nunca perderam eleições legislativas", assinalou.

Nuno Melo dedicou também vários minutos aos desafios eleitorais que se avizinham, nomeadamente as eleições regionais na Madeira, em que concorre com listas próprias, e às eleições europeias, em que o CDS concorre em coligação com o PSD.


O presidente do CDS sublinha que o partido foi dos primeiros a defender a integração de Portugal na CEE e que é uma força "europeísta desde o nascimento". Nuno Melo defende que as eleições europeias não são eleições "menores" e que a opção nas urnas será entre "tolerância" e os "extremismos". Uma opção que torna-se ainda mais relevante com "uma guerra às portas da UE e da NATO".

Considera que a defesa do conceito de Ocidente e de liberdade está ameaçado pelo crescimento da extrema-esquerda e extrema-direita. "Uns e outros são opositores da UE como a concebemos", argumenta.

De seguida, Nuno Melo focou-se na política interna, ao comparar a crise que trouxe a Troika a Portugal e o momento atual. "Em 2024, a crise que nos é legada pela esquerda é fundamentalmente social", refere.

"Bem-vindos à lucidez", diz o presidente do CDS para saudar o equilíbrio das contas públicas após oito anos de governação socialista, mas lembra os serviços mínimos "no mínimo".

"Se antes o PS e as esquerdas legaram a Troika", agora trouxeram "o colapso do SNS, a instabilidade da escola pública, a porta de saída aos jovens, o desperdício na agricultura, a anarquia à habitação, as dificuldades às empresas e os problemas no setor social", elencou.

Nuno Melo abordou ainda a questão da mudança do logótipo, uma das primeiras medidas do Governo. Criticou o PS por ter "decidido apagar" a esfera armilar e considera que o executivo da AD "resgatou a identidade de Portugal".

"Nunca esteve em causa a estética, mas sim a essência", afirmou.

Ainda numa crítica ao PS, Nuno Melo considera que foram batidos "todos os recordes de carga fiscal" ao longo dos últimos anos e que agora os socialistas apontam críticas ao Governo por baixar o IRS "bem além do que o PS pretendia".

Nesse âmbito, diz que o partido está num "processo acelerado de surto amnésico".

Parte do discurso de Nuno Melo foi também dedicada à Defesa Nacional, a pasta que ocupa no Governo. Declarou que não esquece os militares do passado, do presente e do futuro, recolhendo fortes aplausos ao referir-se aos antigos combatentes. 

O presidente do CDS referiu-se ainda à ajuda à Ucrânia, declarando com veemência que não se trata de "caridade", mas sim da defesa dos valores europeus. Nuno Melo elogiou a aprovação do novo pacote de ajuda pelo Congresso dos Estados Unidos, congelado durante vários meses. 

"Ainda bem que o apoio norte-americano voltou", defendeu, saudando os norte-americanos por voltarem "à lucidez".

Nuno Melo dedicou ainda algumas palavras à celebração dos 50 anos do 25 de Abril, assinalando que o país não deve esquecer os 50 anos do 25 de Novembro. Anunciou ainda que o Governo irá criar uma comissão para a comemoração dessa efeméride em 2025.

Lembra que foi esse movimento militar "que salvou a democracia" e citou as palavras do ex-presidente, Ramalho Eanes, que defendeu o 25 de Novembro como a "continuação do 25 de Abril".

"É o que o CDS pensa desde sempre", vincou.

PUB