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Habitação põe Livre e Chega em rota de colisão no Parlamento

Habitação põe Livre e Chega em rota de colisão no Parlamento

A crise da habitação levou esta tarde o Livre e o Chega a trocarem acusações na Assembleia da República, num debate de urgência que o partido de Jorge Pinto insistiu em realizar, depois de dois pedidos terem sido recusados pelo presidente do Parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, por incumprimento das regras regimentais.

RTP / Adicionar como fonte informativa

Jorge Pinto, porta-voz do Livre, abriu o debate defendendo que o Parlamento não pode ignorar as dificuldades dos portugueses no acesso à habitação e criticando a resistência à realização da discussão. "Não podemos tolerar isto. E é por isto que temos este debate de urgência", afirmou.

O deputado justificou a insistência do partido com a necessidade de dar resposta às reivindicações que têm levado pessoas para a rua. 

"Quando há um país que nos pede e exige respostas, o mínimo que lhes devemos é discutir os problemas e o que fazer para lhes dar resposta", declarou.

"E quando temos um país nas ruas, o mínimo que devemos fazer é falar com ele, ouvi-lo e trazer para esta casa para encontrarmos soluções", acrescentou.

O Livre defendeu ainda o direito dos jovens a uma habitação digna e a preços comportáveis, sustentando que devem ter as mesmas oportunidades que as gerações anteriores. 

"Uma casa digna que consigam pagar, uma casa digna que os jovens consigam ter, porque se os seus pais tiveram também eles têm direito a ter", afirmou Jorge Pinto, que prometeu insistir na discussão "tantas vezes quantas forem necessárias". 

No pedido de esclarecimento, André Ventura, deputado do Chega, acusou o Livre de incoerência na política de habitação, apontando o voto contra a descida do IVA na construção. 

"Não há maior hipocrisia do que o Livre vir a esta Assembleia e falar de habitação, quando nesta mesma Assembleia da República votou contra a descida do IVA da construção”, afirmou o líder do Chega, argumentando que a medida permitiria aumentar a construção no país.

Ventura reivindicou também para o Chega a iniciativa de propostas como a isenção de IMI para habitação própria e permanente e acusou o Livre de não apresentar soluções. 

"O Livre não quer nenhuma solução para a habitação", declarou, acrescentando que o partido pretenderia "ocupar a habitação das outras pessoas".

O deputado do Chega alargou as críticas à imigração, questionando a entrada de pessoas no país sem garantias de acesso a casa. 

André Ventura referiu ainda a presença de cidadãos colombianos e brasileiros em manifestações, alegando que alguns defendiam uma revolução e a destruição das instituições portuguesas.

Na resposta, Jorge Pinto, do Livre, acusou o Chega de tentar descredibilizar os protestos e afirmou que os portugueses saíram à rua para expor as contradições do partido de André Venrtura. 

O porta-voz do Livre apontou os votos contra o fim dos fundos imobiliários e a criação de um fundo para habitação pública, responsabilizando também o Chega por ter permitido o avanço de uma proposta do Governo que, na sua avaliação, aumenta a precariedade no arrendamento.

"Senhor deputado, o senhor deputado foi mais uma vez encostado às costas pelos portugueses. Temos o país na rua por culpa do Chega", concluiu.
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