"Isto é uma grande injustiça"

"Isto é uma grande injustiça"

RTP / Adicionar como fonte informativa

Começaram entretanto a chegar ao Juízo Local de Pequena Criminalidade de Lisboa, no Campus de Justiça, os primeiros dos 55 manifestantes detidos pela PSP na Praça do Rossio.

Ouvida pelos jornalistas no local, Catarina Bio, porta-voz dos manifestantes, mostrou-se convicta de que "é bastante provável" que o processo "baixe a inquérito": "Suponho que hoje não irá haver mesmo audiência".

"Os manifestantes mantiveram-se no local porque não havia qualquer razão legítima para não ficarem. Nós temos o direto básico à manifestação, as acampadas estão enquadradas pelo Direito Internacional, num tipo de manifestação comum, e era isso que nós estávamos a fazer", sustentou."Não vejo como é que qualquer ordem aleatória de uma polícia baseada num decreto-lei claramente inconstitucional iria pôr em causa o nosso direito à manifestação e a lutar por outro direito básico constitucional, que é o direito à habitação", prosseguiu a ativista.


Referindo-se ao que os arguidos poderão dizer em tribunal, adiantou: "Os testemunhos são de violência, que houve lá e no caminho para lá. Eles mantêm todos firmemente que não irão parar por causa desta repressão".

"O que está em causa é o nosso futuro. Digo isto como jovem. Os meus amigos que lá estavam eram jovens, estudantes, alguns até menores, que foram detidos e agredidos pela polícia. E sabem que o nosso direito básico à habitação e o direito de todos nós depende de continuarmos a lutar", continuou.

"Sei que foi essa a intenção deles, se calhar de assustar-nos e reprimir-nos, que iríamos parar, mas todas as pessoas que conheço e que foram detidas irão continuar a lutar, porque sabem que a habitação não pode ser uma mercadoria porque é um direito básico de todos nós".

Questionada sobre o que pode suceder se as tendas foram reerguidas, a ativista reiterou que, em caso de nova intervenção policial, os protestos não vão parar.
PUB