João Cotrim de Figueiredo e Pedro Filipe Soares justificam voto contra

RTP /

João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, recorda que este é o “nono” Orçamento do Estado “dos governos de António Costa” e que tem “algumas coisas que infelizmente são iguais às do passado” e “outras que são novas, mas também não são coisas boas”.A RTP está a auscultar os deputados na antecâmara do debate em plenário.

E dá como exemplo “as coisas que são iguais é que continua a não por o país a crescer e os serviços públicos a funcionar”.

Cotrim de Figueiredo realça ainda que não “há nenhuma reforma estrutural, na saúde, educação, justiça, segurança social e habitação. Nada!”

Quando questionado se o seu partido usaria o excedente orçamental para reduzir a carga fiscal, Cotrim de Figueiredo frisa que “há uma necessidade absoluta de reduzir a carga fiscal. Hoje em dias todos estão de acordo que é necessário que, sobretudo, os impostos sobre o trabalho são um travão”.

“Outra coisa é como é que esse dinheiro está a ser gasto. Temos receitas fiscais brutais (…) desde que António Costa é primeiro-ministro, já aumentaram mais de 50 por cento e ninguém vê uma aplicação justa e eficaz, nomeadamente no funcionamento dos serviços públicos desse dinheiro”.
Já Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, explicou por que razão afirmou que o excedente orçamental era uma traição à esquerda.

“No momento em que os serviços públicos estão tão depauperados. Nós vemos que o governo não resolve os problemas da saúde, da escola pública, da justiça, o que coloca em causa o desenvolvimento do país e a qualidade da vida das pessoas, e o retorno dos impostos que são pagos”, explicou o deputado bloquista.

Pedro Filipe Soares frisa que o Governo, “não pode dizer que não há dinheiro”.

“Há dinheiro, o governo não quer é gastar nas urgências, que para nós são as urgências do país, para a maioria da população são as urgências do país”.

Em relação aos reforços anunciados para a saúde e prestações sociais no próximo Orçamento do Estado, o deputado acusa o “governo de investir mais no SNS, para colocar o SNS a pagar mais aos privados”

“É para ser um interposto de pagamentos a privados, desse ponto de vista, os números do Governo são mentirosos. Porque quando dizemos que é preciso mais investimento na saúde, vemos que no orçamento não está previsto esse investimento”, acrescentou.

O deputado do BE acusa ainda o executivo de promover “perda salarial. Os salários valem menos. Um governo de esquerda ataca os serviços públicos desta forma, que ataca o salário desta forma, é um governo que na verdade está a trair a esquerda”.
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