Marinha Grande tenta evitar derrocada da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira

Marinha Grande tenta evitar derrocada da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira

RTP /

A Câmara da Marinha Grande vai avançar com uma intervenção de emergência nos próximos dias para tentar evitar a derrocada de parte da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira, disse hoje o vereador da Cultura do município.

A chuva forte e o mar alterado das últimas semanas acentuaram um problema estrutural no muro de suporte do edifício que, há mais de cem anos, marca a paisagem da praia de São Pedro de Moel

"É uma situação muito, muito complexa e nada é garantido, neste momento. Não é possível garantir que vamos ter sucesso", disse à agência Lusa o vereador Sérgio Silva.

Hoje estiveram no local técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que confirmaram o diagnóstico:

"Há o risco de ruína e a situação é muito, muito preocupante".

Segundo o autarca, existe "um problema estrutural gravíssimo" que o mau tempo agravou. "O muro de proteção apresenta várias rachas verticais, que é por aí que imaginamos que escorrem as areias, com a água da chuva, e lhe retiram sustentação". A questão compromete também a rampa de acesso à praia.

A zona em maior risco é, para já a varanda. Mas se ela ceder, uma parte da casa-museu pode igualmente ser afetada:

"Retirámos os objetos daquela zona e amanhã, preventivamente, vamos retirar todos os objetos da casa. Se a varanda se continuar a afastar, há pelo menos uma parte da casa original que pode também ruir".

Terça-feira os especialistas da Agência Portuguesa do Ambiente vão ao local analisar a situação, mas a Câmara da Marinha Grande está já à procura de empresas para avançar com a intervenção proposta pelo LNEC.

"Estamos a tentar arranjar empresas que façam enrocamentos. Precisamos de rochas com um metro de diâmetro, pelo menos, para aguentar a força das águas e amparar a parede, para ver se não desmorona", detalhou.

A intenção é, no imediato, "conter o deslizamento" e colocar, na varanda, "uma estrutura leve que impeça as águas de penetrarem por ali".

"Esperamos que resista para, quando o tempo melhorar, fazer uma intervenção de fundo. Não sabemos se vamos ter êxito, mas estamos a tentar tudo para salvar o património", garantiu Sérgio Silva.

A eventual perda da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira, local emblemático da praia, constituirá "uma perda significativa para a Marinha Grande e São Pedro de Moel, para a sua estética urbana e também, pelo que significa, para a região".

Da autoria do arquiteto Raul Lino, a casa foi oferecida a Afonso Lopes Vieira (1878-1946) pelos pais, em 1902, por ocasião do seu casamento.

Após a morte do poeta, a casa foi legada em testamento à Câmara para que funcionasse como colónia de férias para os filhos dos operários e dos guardas florestais da Marinha Grande.

O conjunto edificado integra a casa principal, a capela dedicada a Nossa Senhora de Fátima, o pátio e o jardim, além de um anexo (as camaratas).

Segundo o município da Marinha Grande, na "Casa-Nau", como lhe chamava Afonso Lopes Vieira, foram escritas grande parte das suas obras literárias, ensaios, conferências e artigos. Por ali passaram nomes relevantes das artes e da literatura nacional do princípio do século XX.

Além de polo cultural e turístico, a Casa-Museu guarda diversos objetos do poeta. Desde 1949 que, na época estival, funciona como colónia balnear, cumprindo o desejo de Afonso Lopes Vieira.

Lusa
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