"Ninguém quer regresso de Maduro". Preocupação de Portugal são comunidades portuguesas e futuro da Venezuela

RTP /

O ministro português dos Negócios Estrangeiros, após uma reunião com o primeiro-ministro e o presidente da República na qual foi feita “uma análise mais profunda e detalhada” da situação na Venezuela, fez uma declaração ao país. 

“Temos estado em contacto com a nossa embaixada em Caracas, com muitos dos nosso homólogos na Europa e também com os Estados Unidos, no sentido de termos uma visão mais completa da situação”, afirmou Paulo Rangel em conferência de imprensa. 

A primeira preocupação do Governo português, face esta situação, é “sempre a comunidade portuguesa”, que segundo o governante é “muito numerosa e muito influente” e que “já esteve sujeita a muitas situações de crise” na Venezuela. A prioridade é, por isso, “a comunidade portuguesa”. 

“As informações que temos é que a comunidade está serena e, obviamente, desejosa também de clarificação sobre o futuro”, acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros. 

Nesta conversa entre Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa, olhou-se “para o futuro”. “Estamos preocupados, em primeiro lugar, com os presos políticos”, uma vez que há ainda cinco que são luso-venezuelanos.
O Governo português espera que se avance "rapidamente para a devolução de um processo democrático e de transição democrática à Venezuela".

"A nossa preocupação é, essencialmente, o futuro".

Questionado sobre a posição do Governo quanto à operação militar dos Estados Unidos, Rangel afirmou que "apesar das intenções benignas" desta intervenção, esta não "conforma o direito internacional". No entanto, considerou também que o Maduro não tem legitimidade para ser presidente e que há a ideia "de uma elite de narco-estado".

A preocupação do Governo português é que "qualquer que seja a leitura" desta operação é como se repor "a legalidade internacional".

"A posição do Governo [português] é contribuir para a formação de um Governo [venezuelano] legítimo, porque aquele que tínhamos até agora era ilegítimo", afirmou o ministro. "É evidente que ninguém quer o regresso de Maduro".

Sem nunca confirmar se o Governo português condena ou não a intervenção norte-americana, Paulo Rangel repetiu que a prioridade é conseguir formar um Governo legítimo na Venezuela.
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