Sindicato dos Jornalistas vai formalizar queixa na Provedoria contra PSP

Sindicato dos Jornalistas vai formalizar queixa na Provedoria contra PSP

RTP / Adicionar como fonte informativa

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) vai formalizar uma queixa na Provedoria de Justiça contra a PSP e pedir responsabilidades pela agressão e intimidação de jornalistas que cobriam os protestos da habitação nas acampadas no Porto e Lisboa.

Em comunicado, o SJ condenou hoje as agressões e intimidação de elementos da PSP a um repórter de imagem que estava a fazer a cobertura da manifestação contra a crise da habitação no Porto e anunciou a formalização da queixa.

A estrutura sindical "já contactou o jornalista agredido, que explicou que estava perfeitamente identificado com um capacete com a palavra `Press` visível, bem como com todo o equipamento de vídeo que usava naquele momento".

O repórter de imagem disse ainda, segundo o SJ, que considera "impossível" ser confundido com manifestantes, até porque no momento em que foi atingido não existia um cenário de confusão generalizada que pudesse criar alguma dificuldade na sua identificação.

Face a isto, o SJ lamenta e condena "de forma clara este episódio, que em nada dignifica as forças de segurança nem a própria democracia", considerando que "condicionar e agir com violência contra jornalistas devidamente identificados é inaceitável".

Além deste "lamentável episódio", o Sindicato dos Jornalistas "recebeu ainda relatos e vídeos de outro jornalista que foi ameaçado e intimidado por agentes da PSP na cobertura da manifestação na Praça do Rossio, em Lisboa".

Neste caso, apesar de ter a Carteira Profissional visível, bem como distintivos `Press` em partes da indumentária, "os agentes tentaram impedir que esse jornalista registasse detenções que estavam a acontecer naquele momento, com diversas tentativas de o afastar do local, bem como o recurso a empurrões para condicionar o trabalho".

O SJ considera tal ato "lamentável e inaceitável" e "deixa uma palavra de solidariedade aos jornalistas visados e reitera a necessidade de assegurar uma cobertura livre das intervenções policiais que se sucedem no Porto e em Lisboa".

Perante a "gravidade da situação, o Sindicato dos Jornalistas pretende formalizar uma queixa na Provedoria de Justiça contra a PSP e pedir responsabilidades pela agressão e intimidação de jornalistas que faziam a cobertura dos protestos da habitação e as Acampadas no Porto e em Lisboa".

Para o SJ, "estas agressões não podem ficar impunes" e o SJ exige "um inquérito à atuação policial e espera que os polícias agressores sejam responsabilizados".

Além disso, o SJ rejeita "as declarações do porta-voz da PSP, que referiu que um dos motivos para a intervenção violenta desta madrugada foi também a defesa do trabalho" dos jornalistas no local.

"Não em nosso nome! Não em nome do jornalismo e dos jornalistas. Não aceitamos este discurso que consideramos repleto de demagogia e populismo", refere o SJ.

Até porque, se existir alguma situação que envolva a limitação ao trabalho dos media nos protestos, há "mecanismos legais e instâncias devidas para responder a essa situação".

O SJ "não aprova nem apoia o uso da violência contra manifestantes neste tipo de situação. Repetimos a ideia, para que fique claro: os jornalistas não aceitam que seja utilizada violência contra pessoas que se manifestam, invocando o nome dos jornalistas e o jornalismo. Até porque, como ficou claro, os próprios jornalistas foram alvo também dessa violência policial nas últimas horas", remata a estrutura sindical.

(Lusa)
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