Ventura diz que falou com Montenegro sobre arrendamento sem garantias quanto às exigências do partido

Ventura diz que falou com Montenegro sobre arrendamento sem garantias quanto às exigências do partido

RTP / Adicionar como fonte informativa

O líder do Chega revelou hoje que falou com o primeiro-ministro sobre a revisão do regime de arrendamento urbano mas não recebeu garantias quanto às exigências do partido para eventualmente viabilizar o diploma, depois de ameaçar votar contra.

"Falei com o primeiro-ministro sobre isto, sobre a possibilidade de baixar este diploma sem votação, ou de dar condições de garantir que, baixando à especialidade, estes tópicos, que vos estou a dizer, vão ser alterados. Até esse momento essas garantias não foram dadas", afirmou.

De acordo com o líder do Chega, "essas conversas continuam a decorrer entre as bancadas parlamentares".

André Ventura falava aos jornalistas na Assembleia da República logo após o debate em plenário sobre a proposta de autorização legislativa do Governo para rever o regime de arrendamento urbano, que ainda será votada hoje.

Na terça-feira, o presidente do Chega desafiou o Governo a permitir a descida à comissão, sem votação, da proposta para rever o regime de arrendamento urbano e ameaçou votar contra se o executivo não o fizer.

Hoje, Ventura reiterou as críticas à proposta, dizendo que não responde às "exigências da situação da habitação".

"Não faz sentido, quando em muitas zonas do país as rendas aumentaram 60%, 70%, estar simplesmente a falar de rendas ilimitadas e de aumentos ilimitados, ou de ter cauções ilimitadas", criticou, antecipando que "isto vai favorecer sobretudo estrangeiros ricos que cheguem a Portugal com dinheiro na mão" e prejudicar os portugueses.

Este é uma das questões que o Chega quer ver acautelada e André Ventura disse o Governo "ainda não deu garantia de que iria alterar verdadeiramente".

"Até termos as garantias de que isso acontecerá, não podemos viabilizar um projeto que é mau para proprietários e é mau para inquilinos. Até há pouco tempo as conversas continuavam sobre estes assuntos", indicou.

O líder do Chega argumentou igualmente que esta revisão também "não resolve nada" para os proprietários e não permite diferenciar "entre aqueles que não conseguem pagar a casa por vulnerabilidade social e aqueles que não querem pagar a casa por incumprimento reiterado".

"Não é a mesma coisa quem faz do incumprimento um hábito e quem verdadeiramente está numa situação, por causa do mercado, de não conseguir ter rendimentos para pagar uma casa. E o Governo não tem, como a Iniciativa Liberal também não tem, essa sensibilidade. Nós temos, nós estamos a representar o povo português e o povo português está sufocado neste momento nos problemas da habitação", afirmou.

c/ Lusa
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