Sonda Messenger continua a revelar dados sobre Mercúrio após o fim da missão

A sonda espacial Messenger, da NASA, que está em órbita do planeta Mercúrio, continua a recolher e a enviar dados sobre o campo magnético do planeta mais próximo do Sol.

RTP /
Foto Ilustração: NASA/JPL/DR

Embora a missão da Messenger tenha sido dada como terminada no mês passado, com o envio de uma pequena sonda que a nave mãe transportou desde a Terra, à qual teve por missão colidir na superfície do planeta e posterior análise dos dados, o que é certo é que ainda hoje a sonda “mãe” continua a recolher e a enviar mais informação para a NASA.


Foto: NASA/ Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory

Atualmente a Messenger encontra-se em fase orbital descendente e a NASA/JPL estão a aproveitar esta oportunidade para estudar o magnetismo planetário gerado pelo núcleo de Mercúrio.

Os dados científicos desta nova pesquisa foram agora publicados na revista Science, que revela novos detalhes sobre o campo magnético mercuriano.



Foto: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington/REX Shutterstock

A sonda da NASA já tinha ajudado a confirmar que Mercúrio tem um campo magnético que é provavelmente gerado pela agitação lenta de um núcleo de metal líquido.

Este mais recente trabalho, apresentado no Science Journal e elaborado por Jim Head e Louis e Elizabeth Scherck, professores de Ciências Geológicas, explica que as antigas assinaturas do magnetismo emitido pela crosta de Mercúrio, agora detetadas, sugerem que o núcleo líquido tenha existido durante a maioria de história de vida do planeta.
Porquê estudar o campo magnético mercuriano?
A análise do campo magnético do planeta diz muito sobre o que está a acontecer no interior — se é sólido ou líquido e se o líquido está ou não a circular de forma convectiva.

Na década de 70, quando a missão da NASA Mariner 10 voou até Mercúrio, a comunidade científica ficou a saber que o planeta tinha um campo magnético, mas essa missão não forneceu muitos mais detalhes.


Foto: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory

Agora, através da missão Messanger, descobriu-se e revelou-se muito mais. Confirmou-se o campo detectado pela Mariner e que, provavelmente, este campo foi gerado por um núcleo metálico externo líquido.

Uma verdadeira surpresa, visto que Mercúrio é relativamente pequeno, cerca de um terço do tamanho da Terra, tanto é que se pensava que o núcleo do planeta teria arrefecido e solidificado pouco depois da formação. “Mas a missão Messenger mostrou-nos que não é necessariamente o caso”, disse Jim head.
O que acrescenta esta descoberta à ciência?
Quando o material fundido contendo ferro arrefece, o registo magnético fornece a presença e a natureza do estado presente em determinados momentos.  O que se encontrou neste estudo foi uma assinatura magnética distinta nas planícies de Mercúrio.

Em 2011, um grupo de trabalho que seguia de perto esta missão, em Brown, entre outros, deram a conhecer que estas planícies eram de origem vulcânica e com uma idade a rondar entre 3,7 e 3,9 mil milhões de anos.


Foto: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory

E ao detetar uma assinatura magnética torna-se possível afirmar como é composto o interior de um planeta. É interessante notar o esforço feito por parte dos engenheiros da NASA que viabilizaram estas medições.

Por exemplo, o campo magnético da crosta terrestre só pode ser detetado em baixas altitudes e à imagem e semelhança, em Mercúrio, estas medições só foram possíveis devido aos esforços da NASA e da Johns Hopkins University, que possibilitaram o prolongamento e bom funcionamento das funções da Messenger.

A sonda encontra-se em fase descendente e lenta em direção à superfície de Mercúrio, o que permite recolher mais dados.
Quais são as implicações em termos de história adiantada de Mercúrio?

Segundo os cientistas, trata-se de uma ”missão que serve para entender o nosso próprio planeta Terra. Mercúrio é um planeta muito incomum, como a Terra, e o seu interior é idêntico ao do nosso planeta, um núcleo de ferro grande, muito diferente do da lua, como no seu exterior, com uma superfície antiga", afirmou ao Science Journal a geóloga Elizabeth Scherck.

"Com a análise dos dados da missão Messenger, procuramos agora pistas sobre como tem sido feita a transição da evolução no interior da Terra desde o passado, até ao que conhecemos hoje", acrescentou.
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