"Carisma imenso" de Pontífice dificulta sucessão
O padre Vítor Melícias, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, considerou hoje, em Fátima, que o "carisma imenso" de João Paulo II dificulta a sua sucessão.
Falando à margem das 13/as Jornadas de Direito Canónico que tiveram hoje início em Fátima, o sacerdote considerou que a morte de João Paulo II "foi um acontecimento marcante dos nossos tempos porque não apenas emocionou, mas uniu toda a humanidade".
Para Vítor Melícias, a Igreja "terá dificuldades naturais" em substituir João Paulo II, pelo que os cardeais podem ter "a tentação de personalizar o cargo, de ligar mais à pessoa do que à função que vai ser ocupada".
Destacando o "carisma imenso" de João Paulo II, Vítor Melícias reconhece que a sua sucessão é dificultada devido à devoção particular dos fiéis à sua figura.
"A dificuldade de substituir um homem destes será ultrapassada pela capacidade que a própria Igreja e a humanidade têm de valorizar a função, já que é ela a mais importante", afirmou.
"Há uma unanimidade nas reacções que reconhece que este homem marcou o nosso tempo mesmo entre os não crentes", explicou, elogiando o Pontificado de João Paulo II, que foi marcado por uma "grande coerência e persistência na defesa dos grandes valores".
E mesmo nos seus últimos dias, deu um "exemplo" ao "aceitar com humildade as limitações do ser humano", pelo que "merece sair em ombros deste mundo para entrar na porta grande da eternidade".
Vítor Melícias reconheceu ainda que ficaria "particularmente feliz" se um português sucedesse a João Paulo II.
No entanto, para o futuro da Igreja, "não é importante que seja um Papa português, italiano, americano ou chinês", mas que o eleito "saiba encarnar a função" para a qual foi escolhido.
Por seu turno, Manuel Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), considerou que João Paulo II "foi um grande Papa que deu um contributo decisivo para a viragem no mundo" e para o "diálogo inter-religioso e ecuménico".
O reitor destacou o seu trabalho considerando que foi o "conciliador do pós-Concílio" Vaticano II na Igreja Católica, minimizando os problemas causados com a sua sucessão.
"Este Papa nasceu do seio da Igreja: uma Igreja que produziu este Papa será capaz de produzir outros Papas tão grandes como este", afirmou.