Ratzinger escolhido "sem batalha eleitoral" - cardeal alemão eleitor
Por António Sampaio, da Agência Lusa.
Cidade do Vaticano, 20 Abr (Lusa) - Joseph Ratzinger foi eleito 265º líder da Igreja Católica com mais do que os dois terços de votos necessários e sem que tenha havido "uma batalha eleitoral", declarou o cardeal de Colónia, Joachim Meisner, depois do secreto Conclave.
Horas depois do Conclave, e apesar do voto de segredo feito por todos os 115 cardeais, Meisner foi um de vários cardeais alemães que aceitou falar sobre a escolha do seu compatriota Joseph Ratzinger, agora Bento XVI, para chefiar a Igreja Católica.
"Foi tudo feito sem uma batalha eleitoral, sem propaganda. Para mim foi um milagre", comentou o cardeal em declarações aos jornalistas numa residência de padres alemães na Cidade do Vaticano.
Meisner explicou que assim que se percebeu que Ratzinger tinha ganho, à quarta votação, os cardeais irromperam em aplauso espontâneo.
"Comecei a chorar", contou o cardeal de Colónia, cidade à qual, em Agosto, Bento XVI efectua a sua primeira viagem.
Durante mais de 45 minutos Meisner e três outros cardeais alemães aceitaram conversar com os jornalistas, apesar de na segunda-feira terem jurado manter em segredo todos os pormenores da votação no Conclave.
No entanto, e apesar das perguntas dos jornalistas, nenhum dos cardeais aceitou revelar o número exacto de votos que obteve Joseph Ratzinger.
Mostraram-se no entanto bastante mais abertos a falar sobre a reacção do cardeal alemão, assim que foi eleito.
Após ter dito que escolheria o nome de Bento XVI, Ratzinger - no relato dos cardeais alemães - mostrou-se "ligeiramente preocupado" ao entrar na Sala das Lágrimas, onde vestiu as vestes papais.
"Confesso que (também) fiquei preocupado porque quando voltou com as vestes brancas pensei que se tinha esquecida do pequeno chapéu. Mas depois percebi que o seu cabelo também era branco e que não se notava", disse Meisner.
"Mas como chegou a hora do jantar, Ratzinger estava muito melhor e já como um Papa", frisou.
Sem tempo para preparar um menu especial, dada a rapidez do conclave, as freiras que serviram o jantar deram ao novo papa e aos cardeais um simples jantar de sopa de feijão, carnes frias e fruta.
Houve no entanto direito a dois elementos especiais: gelado e champanhe.
Também os cardeais norte-americanos fizeram revelações sobre as discussões no conclave.
O cardeal Edward Egan, de Nova Iorque, que trabalhou durante longos anos em Roma, que garantiu que Bento XVI terá apoio em África e na América Latina.
"Claro que tem apoio", respondeu o cardeal norte- americano, enquanto o seu colega de Filadélfia, Justin Rigali, garantiu que a decisão foi tomada apenas no Conclave e não nos dias anteriores ou influenciada pelas declarações emocionadas de Ratzinger no funeral de João Paulo II.
"Decisões como estas não são tomadas com base na forma como alguém nos impressiona nos últimos cinco minutos, nas últimas horas nem nos últimos dias", afirmou Rigali, frisando a importância do legado de João Paulo II.
"Estávamos à procura de um sucessor de São Pedro.
Estávamos à procura de um sucessor de João Paulo II. E todos nós falámos das qualidades incríveis de João Paulo II, consciente de que o mundo lhe chama `O Grande`", sublinhou.
As conversas dos cardeais alemães e norte- americanos com os jornalistas foram as mais longas desde o Conclave, surgindo horas depois de alguns outros cardeais eleitores terem admitido aos jornalistas estarem satisfeitos com a escolha.
Ennio Antonelli, cardeal de Florença, afirmou logo após o Conclave que a reunião secreta na Capela Sistina foi marcada por um clima de "grande festa, unidade e comunhão".
"Foi uma eleição rápida. Estamos todos em festa.
Estou muito contente", disse em declarações à Rádio Toscana, uma cadeia regional católica, logo após o Conclave.
"Viemos de todo o mundo, sentimos muitas vozes de todos os continentes. Foi um clima de grande festa, unidade e comunhão", explicou.
Christoph Schonborn, cardeal austríaco, mostrou-se igualmente "muito contente" e satisfeito "mesmo pela Igreja na Áustria", enquanto o chileno Francisco Javier Errazuriz disse não estar surpreendido pelo facto de o Conclave ter sido "tão curto".
"Esperava isso", disse.
Joseph Ratzinger, agora Bento XVI, foi eleito em apenas quatro escrutínios no segundo processo mais rápido de sempre de eleição de um sucessor de São Pedro.
Lusa/Fim