Mundo
Ocupação extremista do norte do Iraque força êxodo de centenas de milhares
Ocupada por combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um braço da al Qaeda, a cidade setentrional de Mossul viu partir nas últimas 24 horas até meio milhão de pessoas, incluindo efetivos das tropas regulares. À medida que as cores extremistas substituem a bandeira iraquiana em edifícios públicos, enquanto os altifalantes dos islamitas proclamam a “libertação” de toda a província petrolífera de Nínive, acentua-se a preocupação em Bagdade, onde o primeiro-ministro Nuri al-Maliki já pediu ao Parlamento um reforço da sua esfera de poderes. Mas também em Washington, onde se teme nova desestabilização generalizada da região.
Para o Departamento de Estado norte-americano, não subsistem dúvidas: a progressão do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, na sigla inglesa) é uma séria ameaça aos anseios de estabilidade de toda uma região, para lá das fronteiras iraquianas.
Consumada a ocupação islamita de Mossul, a maior cidade da província de Nineveh, a Administração Obama coloca-se agora ao lado do Governo de Bagdade, para apoiar “uma resposta forte” ao que considera ser a “agressão” do ISIS. Isso mesmo foi sublinhado numa nota ontem difundida pela porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.O ISIS, que tem na al Qaeda de Osama bin Laden a sua matriz ideológica, aspira a fundar um Estado islâmico entre o Iraque e a Síria.
Na mesma linha, o Pentágono afiançou estar a “acompanhar de perto” os acontecimentos no norte do Iraque. Sem deixar de frisar que cabe ao Executivo central de Nuri al-Maliki a escolha da melhor forma de travar a ascensão extremista.
Os combatentes integrados nas fileiras do ISIS controlam atualmente uma porção considerável de território no leste da Síria, onde medem forças com as tropas leais ao Presidente Bashar al-Assad. Nínive é a primeira província iraquiana a cair por completo nas mãos do Estado Islâmico, mas os extremistas eram já desde dezembro de 2013 uma força dominante na cidade de Falluja e em vários sectores de Ramadi, a capital da província ocidental de Anbar.
Na terça-feira o ISIS ocupou também novas posições nas províncias de Kirkuk, uma região multiétnica, e de Salaheddin, ambas no norte do Iraque.
“Temos medo”
Testemunhos de habitantes de Mossul, recolhidos pelas agências internacionais, retratam uma malha urbana a resvalar para o caos. Bandeiras do ISIS têm vindo a substituir as cores nacionais iraquianas em diferentes edifícios públicos. Ao mesmo tempo, clama-se a partir de altifalantes que os militantes do Estado Islâmico “vieram libertar a cidade”.
“A situação é caótica dentro da cidade e não há ninguém para nos ajudar. Temos medo”, relatou um funcionário público, citado na edição eletrónica da BBC.
Ouvido pela France Presse, Mahmud Nuri, entre as centenas de milhares de residentes de Mossul em fuga, disse ter testemunhado a deserção de militares: “Forças do exército deitaram fora as armas, mudaram de roupa, abandonaram os seus veículos e saíram da cidade”.
Há agora, segundo apurou o serviço arábico da BBC, uma avalancha de até 500 mil pessoas a chegar a três cidades do Curdistão, onde as autoridades já começaram a montar acampamentos. Mas os meios são escassos. Pelo que o Governo local já pediu ajuda ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Foto: Karim Kadim, Reuters
Numa intervenção televisiva, o primeiro-ministro iraquiano anunciou que as forças de segurança do país estão em “alerta máximo”.
Nuri al-Maliki adiantou ainda ter pedido ao Parlamento a declaração do estado de emergência, o que alargaria os poderes repressivos do Governo e permitiria decretar uma “mobilização geral” contra a progressão dos extremistas.
Consumada a ocupação islamita de Mossul, a maior cidade da província de Nineveh, a Administração Obama coloca-se agora ao lado do Governo de Bagdade, para apoiar “uma resposta forte” ao que considera ser a “agressão” do ISIS. Isso mesmo foi sublinhado numa nota ontem difundida pela porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.O ISIS, que tem na al Qaeda de Osama bin Laden a sua matriz ideológica, aspira a fundar um Estado islâmico entre o Iraque e a Síria.
Na mesma linha, o Pentágono afiançou estar a “acompanhar de perto” os acontecimentos no norte do Iraque. Sem deixar de frisar que cabe ao Executivo central de Nuri al-Maliki a escolha da melhor forma de travar a ascensão extremista.
Os combatentes integrados nas fileiras do ISIS controlam atualmente uma porção considerável de território no leste da Síria, onde medem forças com as tropas leais ao Presidente Bashar al-Assad. Nínive é a primeira província iraquiana a cair por completo nas mãos do Estado Islâmico, mas os extremistas eram já desde dezembro de 2013 uma força dominante na cidade de Falluja e em vários sectores de Ramadi, a capital da província ocidental de Anbar.
Na terça-feira o ISIS ocupou também novas posições nas províncias de Kirkuk, uma região multiétnica, e de Salaheddin, ambas no norte do Iraque.
“Temos medo”
Testemunhos de habitantes de Mossul, recolhidos pelas agências internacionais, retratam uma malha urbana a resvalar para o caos. Bandeiras do ISIS têm vindo a substituir as cores nacionais iraquianas em diferentes edifícios públicos. Ao mesmo tempo, clama-se a partir de altifalantes que os militantes do Estado Islâmico “vieram libertar a cidade”.
“A situação é caótica dentro da cidade e não há ninguém para nos ajudar. Temos medo”, relatou um funcionário público, citado na edição eletrónica da BBC.
Ouvido pela France Presse, Mahmud Nuri, entre as centenas de milhares de residentes de Mossul em fuga, disse ter testemunhado a deserção de militares: “Forças do exército deitaram fora as armas, mudaram de roupa, abandonaram os seus veículos e saíram da cidade”.
Há agora, segundo apurou o serviço arábico da BBC, uma avalancha de até 500 mil pessoas a chegar a três cidades do Curdistão, onde as autoridades já começaram a montar acampamentos. Mas os meios são escassos. Pelo que o Governo local já pediu ajuda ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
Foto: Karim Kadim, Reuters
Numa intervenção televisiva, o primeiro-ministro iraquiano anunciou que as forças de segurança do país estão em “alerta máximo”.
Nuri al-Maliki adiantou ainda ter pedido ao Parlamento a declaração do estado de emergência, o que alargaria os poderes repressivos do Governo e permitiria decretar uma “mobilização geral” contra a progressão dos extremistas.