Aliados de Kiev prometem 35 mil milhões de dólares em apoio militar este ano

Aliados de Kiev prometem 35 mil milhões de dólares em apoio militar este ano

O Grupo de Contacto da Ucrânia comprometeu-se hoje com 35 mil milhões de dólares (30 mil milhões de euros) em ajuda militar a Kiev este ano, procurando aumentar a "pressão sobre a Rússia" e terminar a guerra em 2026.

Lusa /

O anúncio foi feito numa conferência de imprensa conjunta dos titulares da Defesa do Reino Unido, Alemanha e Ucrânia, bem como do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, após uma reunião em Bruxelas da aliança de mais de 57 países, que procura garantir a coordenação a longo prazo do fornecimento de armas a Kiev.

"Posso confirmar que hoje o grupo se comprometeu a fornecer um total de 35 mil milhões de dólares em nova ajuda militar à Ucrânia", declarou o secretário da Defesa britânico, John Healy, que especificou que o seu país contribuirá com um novo pacote de 1,5 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros).

Após o anúncio do Grupo de Contacto, os países da coligação vão agora determinar o valor de cada parte, com o objetivo de atingir o valor acordado de 35 mil milhões de dólares.

Este montante inclui novos compromissos bilaterais, mas também promessas anteriores feitas pelos aliados da Ucrânia, nomeadamente os 11,5 mil milhões de euros já anunciados pela Alemanha, explicou um diplomata da NATO à agência France-Presse (AFP).

Healy descreveu este compromisso como "uma mensagem muito clara" para o Presidente russo, Vladimir Putin, indicando que os parceiros estão "mais unidos e mais determinados do que nunca" na pressão exercida sobre Moscovo.

"Queremos que 2026 seja o ano em que esta guerra termine, o ano em que conquistemos a paz", prosseguiu o governante britânico, antes de o seu homólogo alemão, Boris Pistorius, explicar que este pacote de financiamento é o resultado de uma carta enviada aos parceiros da Ucrânia a solicitar "apoio adicional" para Kiev.

O ministro alemão afirmou também que o seu país irá auxiliar a Ucrânia com um projeto denominado "City Dome", concebido para defender as áreas metropolitanas de ataques aéreos russos.

Pistorius referiu que o seu país planeia atribuir 11,5 mil milhões de euros à Ucrânia em 2026 e que, além da ajuda em sistemas de defesa aérea e drones, serão disponibilizados fundos para munições de longo alcance.

No final da reunião, o secretário-geral da NATO declarou que os aliados se tinham comprometido com "mais centenas de milhões" para a iniciativa PURL (Lista de Necessidades Prioritárias da Ucrânia), que visa financiar a compra de equipamento de defesa norte-americano para as forças de Kiev.

Rutte agradeceu especificamente ao Reino Unido, Islândia, Noruega, Suécia e Lituânia pelos anúncios já realizados.

"Sabemos que outras nações estão atualmente a debater estas questões nos seus gabinetes e parlamentos, pelo que espero novos anúncios em breve", assinalou o secretário-geral da NATO, alertando, no entanto, que terá de haver uma "divisão de responsabilidades", pois não é possível que apenas "alguns países arquem com o peso" deste esforço.

O ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, agradeceu a assistência do Grupo de Contacto e, em particular, a Rutte e aos ministros alemão e britânico por terem "lutado por cada pacote de ajuda, por cada míssil" e, em última análise, "pelas vidas dos ucranianos".

De seguida, referiu-se às negociações trilaterais em curso com a Rússia e os Estados Unidos, indicando que a Ucrânia tem agora "dois caminhos em curso" para pôr fim à guerra.

"O primeiro caminho é a diplomacia. Houve muitas mudanças de pessoal no nosso país e reforçámos a equipa que lidera as negociações com a ajuda dos nossos parceiros", que acredita estarem "a fazer todos os possíveis para alcançar uma paz justa", prosseguiu.

No entanto, advertiu que a sua missão enquanto ministro é desenvolver um sistema de defesa robusto que funcione em qualquer cenário.

"Não podemos depender de negociações ou outros processos. É por isso que estou focado neste objetivo e acredito que esta é uma mensagem importante para os nossos parceiros: invistam já na nossa capacidade produtiva e ajudem a desenvolver este sistema de defesa imediatamente", apelou.

Fedorov acrescentou que tudo o que for possível deve ser feito para proteger a Ucrânia "do mal que ataca o país", sobretudo numa altura em que "os russos não estão a conseguir nada no campo de batalha, sofrendo muitas perdas", que são compensadas com ataques às infraestruturas energéticas e à população civil.

Criado em abril de 2022 para coordenar o apoio militar internacional à Ucrânia, o Grupo de Contacto de Defesa da Ucrânia, do qual Portugal faz parte, reúne-se regularmente para fornecer armas, munições, sistemas de defesa aérea e treino.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

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