Ataques de mísseis e drones a Kiev causam dois mortos

Ataques de mísseis e drones a Kiev causam dois mortos

A capital ucraniana foi hoje alvo de barragens de mísseis e drones russos que provocaram incêndios e causaram pelo menos duas mortes, após um alerta do Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sobre uma ofensiva "de grande envergadura".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Oleksii Filippov - AFP

O dirigente ucraniano indicou na quarta-feira, a partir de Dublin, que regressaria de imediato a Kiev na sequência de informações sobre uma nova ofensiva russa em preparação.

"Sabemos que [o Presidente russo] Vladimir Putin prepara este ataque massivo contra a Ucrânia há já algum tempo", declarou, apelando aos ucranianos para "redobrarem a cautela para se protegerem", durante uma conferência de imprensa na Irlanda, na quarta-feira.

"Durante a noite, o inimigo voltou a lançar uma ofensiva massiva contra a região de Kiev, utilizando drones de ataque, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro", afirmou hoje Mykola Kalachnyk, responsável da administração militar da região de Kiev, na rede de mensagens Telegram, precisando que cinco distritos foram atingidos.

Jornalistas da agência France-Presse (AFP) ouviram explosões durante várias séries de ataques ao longo de muitas horas.

Uma nuvem de fumo ergueu-se após uma detonação no centro da capital ucraniana, seguida de chamas e brasas, de acordo com um repórter em Kiev. Bombeiros e ambulâncias chegaram rapidamente ao local.

Cerca de cinquenta minutos após a primeira explosão, foi registada uma segunda deflagração perto do ponto inicial de impacto, que projetou destroços no ar.

Nas ruas, os habitantes dirigiam-se para os abrigos, levando colchões debaixo do braço.

Kateryna Koval, residente em Kiev, explicou à AFP que tinha perdido o hábito de se refugiar sistematicamente nos abrigos. "Mas depois dos últimos ataques, decidi ir porque houve simplesmente demasiadas ofensivas contra locais civis na recente investida", sublinhou, refugiada no metro da capital.

"Claro que a situação pode sempre piorar, mas não penso que consigam intimidar-nos", observou Kateryna Kucheriava, médica residente em Kiev.

"Neste momento, o número de feridos no ataque subiu para 16. Infelizmente, duas pessoas morreram", anunciou o responsável da administração militar de Kiev, Timour Tkatchenko.

O responsável precisou que 28 locais foram atingidos pelas ofensivas, "essencialmente edifícios residenciais e infraestruturas civis".

O presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, indicou que ataques danificaram um edifício no centro da capital que albergava um posto de ambulâncias.

"Cinco profissionais de saúde ficaram feridos no distrito de Chevtchenkivskyï. Um deles, um paramédico, está em estado crítico", detalhou no Telegram.

"O telhado de um edifício residencial de grande altura está em chamas" noutro distrito, enquanto pessoas ficaram presas noutro prédio danificado de nove andares, acrescentou o autarca.

Mais de quatro anos após o início da invasão russa da Ucrânia, a capital continua a ser regularmente alvo de ataques aéreos mortais e por vezes massivos.

No dia 02 de junho, uma ofensiva russa de grande escala, conduzida com 656 drones e 73 mísseis, provocou 23 mortos, incluindo 16 em Dnipro, no centro-leste do país, e sete em Kiev, onde cerca de 50 pessoas ficaram também feridas, segundo as autoridades.

Kiev intensificou, por seu lado, nos últimos meses, as ofensivas contra a Rússia e os territórios ocupados por Moscovo, enquanto as negociações sob mediação norte-americana para pôr fim à guerra permanecem bloqueadas.

Em 18 de junho, uma ofensiva ucraniana de grande escala provocou 17 feridos e atingiu uma importante refinaria em Moscovo, causando explosões e um incêndio espetacular.

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