Ataques híbridos da Rússia não vão dissuadir UE de apoiar Kiev afirma Kallas

Ataques híbridos da Rússia não vão dissuadir UE de apoiar Kiev afirma Kallas

A chefe da diplomacia da União Europeia avisou hoje que os ataques híbridos da Rússia contra a Europa não vão dissuadir os 27 Estados-membros de continuar a apoiar a Ucrânia, considerando que Moscovo está a testar o bloco.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Bryan Meade - EPA

Em conferência de imprensa no final de uma reunião informal dos ministros da Defesa da União Europeia (UE), no condado de Wicklow, na Irlanda, Kaja Kallas salientou que a Rússia está a tornar-se cada "mais implacável e destrutiva" na Ucrânia.

"O exército russo está a enfrentar dificuldades no terreno e é por isso que opta por matar civis a partir do céu. Isto é terror deliberado", acusou, acrescentando que ataques com mísseis russos contra navios de transporte de cereais no Mar Negro estão a pôr em risco "cadeias globais de abastecimento alimentar".

"E a Rússia também está a atingir a Europa com uma onda cada vez maior de ataques híbridos. Com isto, a Rússia pretende assustar-nos e levar-nos a deixar de apoiar a Ucrânia. Não terão sucesso", advertiu a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança.

Pelo contrário, prosseguiu Kallas, a UE tenciona aumentar o seu apoio à Ucrânia e investir mais na sua própria Defesa.

"Esta é a melhor forma de travar [Presidente russo, Vladimir] Putin", considerou, reiterando ainda que a UE está a preparar o pacote de sanções "mais vasto de sempre" contra a Rússia.

Kallas reiterou o apelo para que os países europeus forneçam mísseis intercetores em fim de vida à Ucrânia, numa alusão a Espanha e à Grécia -- que dispõem de reservas de mísseis, mas estão entre os que menos os forneceram à Ucrânia --, frisando que são cruciais.

"Cada míssil intercetor que fornecemos à Ucrânia representa um míssil russo que não atinge uma escola, casa ou hospital ucraniano. E todo o apoio prestado à Ucrânia fortalece a segurança europeia", sustentou.

No entanto, Kallas reconheceu que, "infelizmente", na reunião de hoje, nenhum Estado-membro se comprometeu a fornecer mísseis adicionais deste tipo à Ucrânia.

A Alta Representante anunciou ainda que, na próxima semana, vai lançar um novo grupo de alto nível sobre Defesa, que será composto "por altos responsáveis políticos e militares de vários países da UE, mas também do Reino Unido e da Ucrânia".

O objetivo desse grupo, indicou Kallas, é "reunir algumas das mentes mais brilhantes na área da segurança e da Defesa" para garantir que o aumento do investimento em Defesa que está a ser feito na Europa também permite "colmatar as lacunas na capacidade militar convencional da Europa".

"Queremos encontrar soluções verdadeiramente inovadoras para podermos ser mais rápidos e mais eficazes a colmatar essas lacunas, sobretudo agora que a ameaça à segurança na Europa é muito mais real", referiu, acrescentando que o grupo em questão irá apresentar um relatório final com conclusões sobre a matéria.

Questionada se considera que o aumento de ataques híbridos russos contra a Europa poderá levar, no curto prazo, a perdas de vidas humanas e se a UE definiu algum patamar a partir do qual tenciona responder à Rússia, Kallas reconheceu que "o risco está a aumentar".

"É por isso que também criei este grupo, para que possamos, de facto, estar em condições de responder a este tipo de ataques", afirmou, salientando que a UE precisa de estar preparada para agir em conformidade com as ameaças de retaliação que faz à Rússia.

Kallas considerou que, com os ataques híbridos que tem feito, a Rússia está "a testar" a UE, "avançando cada vez um pouco mais".

"É por isso que precisamos realmente de responder. E é também por isso que estamos a preparar o maior pacote de sanções alguma vez dirigido à indústria militar russa, para que possamos realmente enfraquecer a sua produção militar que, na verdade, ainda depende muito de componentes europeus", afirmou.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

Tópicos
PUB