"Inaceitável". Dois cargueiros atingidos junto à Bulgária em ataques atribuídos à Rússia

"Inaceitável". Dois cargueiros atingidos junto à Bulgária em ataques atribuídos à Rússia

Em cartas dirigidas aos líderes da NATO e da UE, a Bulgária solicitou uma análise prioritária aos ataques, tendo recorrido igualmente à Agência Europeia de Segurança Marítima.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Yoruk Isik - Reuters

Dois navios cargueiros foram atacados perto da costa búlgara, anunciou esta terça-feira o primeiro-ministro Roumen Radev. Sófia tenciona convocar a embaixadora da Rússia na sequência dos ataques que, tal como a União Europeia, considerou inaceitáveis.

Um primeiro sinal "foi recebido às 1h30 (23h30) relativo a um navio em perigo", explicou Radev. O cargueiro Chelsea 3, que pertencia à Ucrânia e possuía bandeira maltesa, foi "atingido por três drones aéreos".

A tripulação do navio foi resgatada na totalidade.

Entretanto, "outro navio foi atingido" e "afundou-se", acrescentou o primeiro-ministro búlgaro, adiantando que "um membro da tripulação" do Azov Concord, com bandeira de São Vicente e Granadinas, foi resgatado.

"Este novo ataque contra navios mercantes nas imediações das águas territoriais búlgaras é absolutamente inaceitável", declarou Radev, político pró-russo.

"Não dispomos de provas sólidas e claras para apresentar acusações contra qualquer uma das partes, mas a lógica aponta para a Rússia", sublinhou. Segundo o Governo búlgaro, o primeiro ataque ocorreu a 18 milhas marítimas a leste de Byala e o segundo a 17 milhas a leste de Krapets, duas localidades situadas no litoral deste país europeu.

A tripulação do primeiro navio, o "Chesea 3", registado no porto ucraniano de Odessa, era composta por sete cidadãos ucranianos e oito cidadãos do Azerbaijão.

Segundo o primeiro-ministro Roumen Radev, o navio foi transportado até ao porto búlgaro de Varna e cinco dos seus tripulantes "estão a receber assistência médica devido a ferimentos ligeiros".

Já na semana passada, outros dois navios mercantes foram atingidos por drones na zona económica exclusiva da Bulgária no Mar Negro. Um deles afundou-se e a sua tripulação, composta por nove sírios e um egípcio, continua desaparecida, enquanto os 18 marinheiros do segundo navio foram resgatados."Mar Negro tornou-se outra frente da escalada da guerra"
A presidente da Comissão Europeia veio já afirmar que os responsáveis pelos ataques devem ser punidos. "O Mar Negro tornou-se outra frente da escalada da guerra russa na Ucrânia. Isto é inaceitável. Os responsáveis devem ser punidos", escreveu na rede social X.


Já o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiga, apelou à "intensificação da pressão sobre a Rússia" e considerou o Mar Negro "uma bóia de salvação para a segurança alimentar mundial".

"A Rússia ataca-o para transformar a fome numa arma e fazer o mundo refém", alertou no X.

A Bulgária, membro da União Europeia e da NATO, anunciou na segunda-feira que solicitou assistência técnica para determinar a origem desta vaga de ataques.

Sófia está a realizar buscas, mas não foram até ao momento encontrados destroços dos drones. Estão também a ser analisados dados de satélite numa tentativa de identificar os responsáveis.

Caso necessário, a Bulgária vai considerar "todas as medidas diplomáticas e jurídicas possíveis".

c/ agências
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