Cessar-fogo permite entrada de missão humanitária em cidade ucraniana ocupada pela Rússia

Cessar-fogo permite entrada de missão humanitária em cidade ucraniana ocupada pela Rússia

Um comboio humanitário, que transportava residentes de Oleshky, chegou à Crimeia. Ucrânia e Rússia acordaram um cessar-fogo temporário para o sucesso desta missão, com o objetivo de distribuir ajuda e retirar civis.

Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Reuters

Centenas de moradores da devastada cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia, foram retirados, como confirmaram as autoridades russas e ucranianas, após um cessar-fogo humanitário intermediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.

"Estamos a concluir a nossa missão humanitária em Oleshky. Neste momento, estamos no território de Armyansk [no norte da Crimeia], onde estamos a organizar-nos em comboios", publicou Yana Lantratova, comissária russa para os direitos humanos, nas redes sociais.

Segundo Lantratova, as operações decorreram "sem incidentes".

A retirada de população fez parte de uma operação de socorro conjunta entre a Rússia e a Ucrânia — a primeira do género em quatro anos e oito meses de guerra.

Um comboio de 25 autocarros e várias ambulâncias chegou à cidade, situada na região de Kherson, transportando alimentos e medicamentos e preparando a retirada dos habitantes que desejem deslocar-se para território controlado pela Ucrânia ou pela Rússia.


Segundo as autoridades e organizações de voluntários, cerca de duas mil pessoas permanecem em Oleshky, ocupada pelas forças russas desde 2022.

Também Melania Trump já se pronunciou e afirmou que "todos os elementos do comboio, incluindo a passagem segura de entrada e saída de Oleshky, foram estabelecidos por meio de acordo mútuo entre os líderes russo e ucraniano"Este cessar-fogo, iniciado na terça-feira, deverá manter-se até domingo à noite. É a trégua mais longa e abrangente desde o início da invasão russa da Ucrânia em 2022. Está em vigor em toda a região fronteiriça de Kherson, permitindo a desminagem da estrada que sai de Oleshky.

"Todos os que desejem abandonar Oleshky terão a oportunidade de o fazer em segurança", afirmaram as autoridades russas e ucranianas em comunicados separados, mas com conteúdo idêntico.

"Aqueles que optarem por ficar poderão permanecer e receberão todo o apoio humanitário de que necessitem", acrescentaram.

Esta missão humanitária foi organizada em Armiansk, na península da Crimeia, ocupada pela Rússia, a cerca de 85 quilómetros a sul de Oleshky, segundo o provedor de Justiça ucraniano e principal negociador da operação, Dmytro Lubinets. As operações de desminagem das estradas de acesso à cidade ficaram concluídas na quinta-feira à noite, mas provocaram a morte de duas pessoas, de acordo com as autoridades.

A presença de representantes ucranianos na operação é considerada importante por alguns habitantes, que receiam ser interrogados ou detidos pelas autoridades russas durante a retirada. O Kremlin deixou claro, contufo, que o sucesso do cessar-fogo em Oleshky não deve ser interpretado como uma disposição para estender a trégua ao resto da Ucrânia.

c/agências
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