China anuncia nova ajuda humanitária a Kiev
A China está pronta para prestar "uma nova ajuda humanitária" à Ucrânia, anunciou hoje o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, durante um encontro com o homólogo ucraniano na Conferência de Segurança de Munique.
"As relações entre a China e a Ucrânia devem manter-se no caminho certo (...). A China está pronta para prestar uma nova ajuda humanitária à Ucrânia", disse Wang Yi a Andrii Sybiga, segundo um comunicado divulgado pela televisão estatal chinesa CCTV.
A China, que nunca condenou a ofensiva russa na Ucrânia e se apresenta como neutra, apela regularmente a negociações de paz para pôr termo à guerra iniciada por Moscovo há quatro anos.
Os governos ocidentais e a Ucrânia acusam a China de fornecer à Rússia um apoio económico crucial para o esforço de guerra, nomeadamente componentes militares para a indústria de defesa.
Wang afirmou que as trocas comerciais entre Pequim e Kiev se desenvolveram de forma estável em 2025, mantendo a China como o maior parceiro comercial da Ucrânia e a maior fonte de importações.
Disse também que a China espera que o lado ucraniano continue a garantir a segurança do pessoal e das instituições chinesas na Ucrânia, acrescentou, segundo a agência oficial chinesa Xinhua.
Wang falou em progressos recentes no diálogo sobre o conflito, que considerou reconfortantes, e assegurou que a posição chinesa é constante, "defendendo a objetividade e a equidade e promovendo ativamente as conversações de paz".
"Estamos dispostos a manter a comunicação com a Ucrânia e a trabalhar com a comunidade internacional para desempenhar um papel construtivo na obtenção de uma solução política rápida para a crise", acrescentou.
No final do encontro, Sybiga agradeceu a Wang a decisão da China de "conceder ajuda humanitária adicional em matéria de energia à Ucrânia", face à intensificação dos bombardeamentos russos contra a rede energética do país.
O ministro ucraniano disse nas redes sociais que falou a Wang sobre os recentes desenvolvimentos da guerra iniciada pela Rússia há quatro anos.
"Informei o meu colega chinês sobre a situação na linha da frente, os ataques russos ao nosso sistema energético e os danos infligidos às empresas chinesas como resultado dos ataques russos", disse Sybiga.
"Discutimos os esforços de paz e o papel importante da China para facilitar o fim do conflito", escreveu, citado pela agência France-Presse (AFP).
Sybiga referiu-se a um "encontro frutuoso" durante o qual analisaram "formas de desenvolver relações comerciais e bilaterais mutuamente vantajosas, baseadas no respeito recíproco pela integridade territorial".
Os dois ministros trocaram convites para visitarem os respetivos países, segundo Sybiga, que também destacou o "interesse da Ucrânia em contactos ao mais alto nível com a China".
O ministro aludia a esforços recentes para organizar uma reunião entre o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o homólogo chinês, Xi Jinping, que mantém relações estreitas com o líder russo, Vladimir Putin.
Wang também se reuniu com o homólogo norte-americano, Marco Rubio, no primeiro dia da Conferência de Segurança de Munique, que decorre até domingo na cidade bávara.
O encontro, que durou uma hora segundo a equipa de Rubio, ocorre poucos dias após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que vai receber Xi Jinping em Washington no fim do ano para discutir sobretudo questões comerciais.
Rubio e Wang reuniram-se num grande hotel da capital bávara, onde trocaram um aperto de mão, mas sem prestar declarações aos jornalistas, segundo a AFP.
Washington e Pequim travam um braço de ferro em torno das tarifas aduaneiras que tem marcado as relações entre as duas potências desde o regresso ao poder de Trump, no ano passado.