Coligação da boa vontade reúne-se em Kiev no Dia da Independência

Coligação da boa vontade reúne-se em Kiev no Dia da Independência

A chamada Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia, composta por cerca de 30 Estados aliados de Kiev, reúne-se na capital ucraniana por ocasião do 35.º aniversário da independência do país, hoje assinalado.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Teresa Suarez - Pool via EPA

A reunião terá um formato híbrido - alguns dirigentes não estarão em Kiev, caso do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, participando por videoconferência - e será coorganizada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, e pelo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que participa pela primeira vez num encontro deste grupo.

"A Rússia não deve ter dúvidas sobre a nossa determinação", declarou Burnham, em comunicado, antes de chegar a Kiev.

"Não cederemos até que se estabeleça uma paz justa e duradoura", afirmou o líder do Governo do Reino Unido, na primeira viagem internacional desde que assumiu o cargo, no final de julho.

O líder trabalhista "deve anunciar que o governo concordou em permitir que a empresa de defesa MBDA partilhe informações confidenciais sobre componentes britânicos do míssil de longo alcance Scalp", referiu o comunicado.

Este míssil de cruzeiro é a versão francesa do Storm Shadow britânico, ambos baseados em tecnologia franco-britânica partilhada.

Esta decisão "permitirá aos franceses e ucranianos avançar na montagem deste míssil na Ucrânia", explicou Downing Street.

Em Kiev, ao lado do Presidente Volodymyr Zelensky, estará, entre outros representantes, o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Esta coligação, lançada em março de 2025 por Paris em coordenação com o Reino Unido e que Portugal integra, reúne países dispostos a fornecer garantias de segurança à Ucrânia para impedir uma nova agressão da Rússia após o fim do atual conflito.

É a terceira vez que o grupo se reúne em Kiev desde que foi criado e este encontro acontece num momento em que Moscovo têm intensificado os ataques com mísseis balísticos e a liderança ucraniana pede ajuda para reforçar a defesa aérea, fortemente debilitada ao nível de mísseis intercetores.

A última reunião da coligação aconteceu em julho, em França. Na altura, Macron anunciou que a força multinacional criada para ser destacada na Ucrânia após o fim da guerra com a Rússia ia começar a treinar nos "países vizinhos" nos "próximos meses".

No domingo, dirigentes dos oito países nórdicos e bálticos europeus estiveram em Kiev para discutir com o Presidente ucraniano o reforço da defesa aérea face aos mísseis e artilharia russa.

"A Ucrânia precisa urgentemente de reforçar a sua defesa aérea", afirmou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que integra uma comitiva governamental que junta a Dinamarca, Estónia, Finlândia, Islândia, Letónia, Lituânia, Noruega e Suécia.

Para a governante, é necessário avançar com uma "coligação" para produzir "antimísseis balísticos que irá desenvolver um moderno sistema europeu de defesa antimísseis, baseado nas capacidades e na experiência tanto ucranianas como europeias".

Frederiksen antecipou que, durante a cimeira entre a Ucrânia e o chamado NB-8, todos os líderes irão abordar, em especial, a importância de "reduzir os tempos de produção" deste sistema; uma combinação de plataformas de interceção e de técnicas de combate aos drones.

A reunião aconteceu após várias semanas de recrudescimento dos bombardeamentos por parte da Rússia.

Foi precisamente esta questão que esteve na ordem do dia durante parte da chamada realizada no sábado entre Zelensky e o Presidente francês, Emmanuel Macron.

Na reunião, mais uma vez, o líder ucraniano pediu que seja acelerada a "entrega de mísseis" e uma solução para "resolver a questão das licenças para a produção" dos equipamentos na Ucrânia.

Macron prometeu que a França iria entregar a Kiev novos mísseis intercetores.

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