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Guerra na Ucrânia
Estónia pede reforços da NATO em permanência a leste para conter a Rússia
A NATO tem de repensar a atitude de defesa da Europa, nas fronteiras a leste, perante o contexto da invasão russa da Ucrânia, defende o Governo da Estónia. Para este país do Báltico, a Aliança Atlântica não pode mais subscrever uma estratégia de mera "armadilha" para aspirações expansionistas de Moscovo: deve assegurar um reforço militar permanente naquele flanco do Velho Continente.
O mundo não vai ser o mesmo depois da invasão russa na Ucrânia, iniciada a 24 de fevereiro. Quem o diz é Jonatan Vseviov, secretário permanente do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Estónia. O responsável enfatiza que os países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte têm de rever a atitude para melhor defender a região e deter o avanço russo.
As forças militares da Aliança Atlântica no leste europeu têm-se destinado a servir como "armadilha" a despoletar em caso de avanço russo.
"A abordagem baseada num fio para fazer tropeçar depende da suposição de que quem está a ser dissuadido entende a ligação entre o fio de tropeçar e as forças de reforço", argumenta Vseviov.
Para o secretário permanente do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Estónia, está na hora de a NATO assumir outra postura: "Precisamos agora de construir a defesa e dissuasão da NATO e a segurança europeia em geral, a longo prazo".
"Precisamos passar de uma dissuasão baseada no fio de armadilha para uma dissuasão baseada em defesa avançada", acrescentou.
Jonatan Vseviov - Twitter
Após o fim dos tensos anos da Guerra Fria, a capacidade da aliança assente no Tratado do Atlântico Norte decaiu. Vseviov defende a existência de contingentes permanentemente reforçados para garantir maior resistência às pretensões de Moscovo.
"Precisamos de ser menos dependentes de reforços e precisamos ter mais forças defensivas nos Estados da linha de frente desde o primeiro dia", observou Vseviov. “Acho que haverá amplo consenso político na NATO sobre a necessidade de agir dessa maneira e os detalhes exatos devem estar já a ser planeados".
Esta proposta da Estónia vai ser discutida na quinta-feira durante a cimeira extraordinária da NATO, assegurou Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos.
"A segunda [pergunta] é qual é a atitude da força de longo prazo, não apenas para essa contingência, essa emergência, essa invasão, mas ao longo do tempo. Isso é algo que o presidente discutirá com seus aliados na reunião da NATO, na quinta-feira", rematou.
Depois da invasão, as fronteiras dos Estados bálticos, da Polónia e restante Europa oriental viram chegar mais de 20 mil soldados de países-membros da NATO, a esmagadora maioria dos Estados Unidos.