Evacuações em Kiev após ataque aéreo russo contra depósito de explosivos
Um ataque com um drone russo provocou um grande incêndio e explosões num depósito de explosivos nos arredores da capital Kiev, levando à retirada de mais de 200 pessoas, disseram as autoridades da Ucrânia.
O Ministério Público (MP) ucraniano abriu uma investigação por eventual negligência em relação às condições de armazenamento após o ataque, que ocorreu pouco depois das 20:00 de sexta-feira (18:00 em Lisboa) na aldeia de Myla, no distrito de Butcha.
De acordo com o chefe da administração militar regional, Timur Tkachenko, um incêndio deflagrou e foi "acompanhado de explosões".
"Mais de 200 pessoas, incluindo crianças, já foram retiradas do local", afirmou durante a madrugada na plataforma de mensagens Telegram, dando conta de seis feridos.
O MP especificou que a investigação se concentrará particularmente na "legalidade do armazenamento de explosivos" no local, bem como se a empresa envolvida, não identificada, possuía as licenças necessárias.
O primeiro-ministro Sergei Koretsky lamentou que as lições não tenham sido aprendidas após o ataque mortal ocorrido em julho contra um depósito de munições na cidade de Vyshneve, perto de Kiev.
Uma investigação revelou deficiências significativas por parte da empresa estatal proprietária da instalação, que não cumpriu as normas de segurança apesar da proximidade a áreas residenciais.
"Repetir os mesmos erros vezes sem conta, no quinto ano desta invasão em grande escala, constitui negligência criminosa", declarou Koretsky, também no Telegram, acrescentando que "todos os responsáveis, sem exceção, devem ser severamente punidos para que tais situações nunca se repitam".
A Rússia e a Ucrânia têm vindo a intensificar os ataques aéreos de longo alcance há vários meses, visando infraestruturas civis, como depósitos logísticos, instalações petrolíferas e portos.
Na sexta-feira, pelo menos quatro pessoas morreram em ataques russos com drones contra regiões da Ucrânia, enquanto um ataque ucraniano provocou um morto e 27 feridos na região russa de Yaroslavl, segundo as autoridades.
Também na sexta-feira, o porta-voz da presidência russa declarou que o processo de negociações promovidas por Washington com a Ucrânia "está completamente parado" e sem novas ideias para encontrar uma saída para o conflito.
"Este assunto está atualmente suspenso. Não há novas ideias", disse Dmitri Peskov, em conferência de imprensa em Moscovo, na qual insistiu que Moscovo tem uma série de condições para o fim da guerra e acusou a liderança ucraniana de rejeitar a sua discussão "por meios pacíficos".
O porta-voz presidencial reivindicou o avanço "óbvio" da Rússia no campo de batalha e que as forças russas estão a destruir o complexo militar industrial ucraniano, comentando que "os especialistas compreendem perfeitamente o significado desta ofensiva e as consequências que terá, em última análise, para o regime de Kiev".