Futuro do comandante das Forças Armadas ucranianas está em aberto

Futuro do comandante das Forças Armadas ucranianas está em aberto

Para o general Valeriy Zaluzhnyi, comandante das Forças Armadas ucranianas, nem o estatuto de herói nacional por liderar o esforço de guerra contra as forças de Moscovo é suficiente para afastar as dúvidas sobre se manterá o cargo.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Viacheslav Ratynskyi - Reuters

Uma série de notícias publicadas esta semana nos meios de comunicação social ocidentais e ucranianos referem que o presidente Volodymyr Zelensky pediu a Zaluzhnyi que se afastasse, pedido que foi recusado pelo general.

Segundo a Reuters, as forças ucranianas estão atualmente em dificuldades no campo de batalha.A muito aguardada contraofensiva de verão teve pouco avanço no sul e no leste, e as forças russas estão a infligir pequenas mas dispendiosas derrotas ao longo dos mil quilómetros da frente.

O apoio militar e financeiro do Ocidente é cada vez mais difícil de obter, deixando a Ucrânia crescentemente exposta a ataques regulares de drones e mísseis russos.

O estado da guerra não se deve apenas a Zaluzhnyi, mas dada a sua popularidade e capacidade comprovada como comandante inspirador, e o facto de Kiev estar a tentar substituí-lo pode refletir o desejo de uma nova abordagem ao conflito.
Herói para muitos
Desafiando as probabilidades esmagadoras, os soldados ucranianos usaram a discrição e a velocidade para impedir o avanço da Rússia sobre Kiev, ajudando a garantir que, mesmo agora, o presidente russo Vladimir Putin continua longe de conquistar a Ucrânia.

À medida que a guerra avançava, as ações de Zaluzhnyi aumentaram o que o levou a receber vários elogios na Ucrânia e no estrangeiro quando as suas forças lançaram contraofensivas no nordeste e no sul, que recapturaram enormes extensões de terra e aumentaram as esperanças de uma vitória improvável.Uma fotografia de Valeriy Zaluzhnyi a sorrir e a fazer o sinal de paz foi pintado com spray nas paredes após a libertação da cidade de Kherson, no sul do país, sob o lema "Deus e Zaluzhnyi estão connosco", levou a que fosse intitulado como “General de Ferro”.

Desde então, o ímpeto da Ucrânia no campo de batalha estagnou, mas as sondagens indicavam que Zaluzhnyi ainda merecia a confiança de 92 por cento dos ucranianos no final do ano passado, significativamente acima dos 77 por cento de Zelensky.

As fricções surgiram em novembro, depois de Zaluzhnyi ter sido citado pela Economist como tendo dito que a guerra estava num "impasse", numa avaliação sombria que chocava com a visão mais otimista de Zelensky.

O general de quatro estrelas, de 50 anos, que raramente fala em público, mas que ocasionalmente aparece nos noticiários a examinar mapas e a dirigir-se fardado aos comandantes, argumentou que a melhoria da tecnologia é a chave para quebrar o impasse.

O gabinete do presidente repreendeu-o e um dos oficiais superiores de Zaluzhnyi disse que tinha sido despedido por Zelensky à revelia do general.

Se fosse afastado e entrasse na política - embora nunca tenha manifestado ambições políticas - o "General de Ferro" poderia revelar-se um rival para qualquer um.
O “voluntário” corpulento
Zaluzhnyi começou a sua formação militar na década de 1990, depois de a Ucrânia se ter tornado independente da União Soviética, tendo-se graduado com distinção e subido na hierarquia.Sentiu o gosto de um verdadeiro conflito em 2014, quando serviu numa zona do leste da Ucrânia onde militantes apoiados pela Rússia tinham tomado território.

Alto e corpulento, com cabelo cortado, Zaluzhnyi, cujo nome de código militar é "Voluntário", tem a reputação de ter uma boa relação com os seus subordinados e de permitir que os comandantes locais tomem as suas próprias decisões no campo de batalha.

Para muitos, parecia uma lufada de ar fresco entre os generais mais antigos da Ucrânia, de estilo soviético, e personificava o desejo de Kiev de romper com as práticas militares soviéticas que tinha herdado.
Em novembro, Valeriy Zaluzhnyi alertou para o facto de que a guerra estava a resvalar para uma fase de transição que convinha à Rússia, um aviso que não se coadunava com a retórica oficial de Kiev, mas para muitos dos seus soldados era o reconhecimento da dolorosa realidade no campo de batalha.
A Rússia tem vindo a construir fortificações desde o final de 2022, depois de ter sofrido derrotas humilhantes nas regiões de Kharkiv e Kherson, com avanços ucranianos mais recentes frustrados.

Dezenas de milhares de soldados foram mortos e feridos em ambos os lados, embora não haja números oficiais fiáveis.


A Ucrânia precisa desesperadamente de reforçar as suas fileiras sobrecarregadas e exaustas, mas o Governo não tem conseguido alterar as leis de recrutamento para ajudar a recrutar mais meio milhão de soldados.

Kiev também está a lutar para manter o apoio ocidental que tem sido vital para o seu esforço de guerra.
Tanto os Estados Unidos como a União Europeia não conseguiram, nos últimos dois meses, entregar os avultados pacotes de ajuda que tinham prometido.

Tudo isto significa que, à medida que o conflito mais mortífero na Europa desde a II Guerra Mundial entra no seu terceiro ano, as botas de Zaluzhnyi serão muito difíceis de preencher.

c/ agências internacionais
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