Guerra na Ucrânia. Alerta máximo na fronteira da Polónia com a Bielorrússia

A presença de mercenários do grupo Wagner na Bielorrússia está a aumentar a tensão na fronteira com a Polónia. Varsóvia enviou mil soldados como reforço para a sua fronteira oriental.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Polónia desloca tropas para a fronteira oriental. Exército polaco, via Reuters.

Na véspera da cimeira da NATO, que começa terça-feira na Lituânia, Varsóvia destacou milhares de agentes para responder a possíveis tentativas de desestabilização na fronteira com a Bielorrússia provocadas pelas forças da Wagner, anunciou o ministro polaco da Defesa, Mariusz Blaszczak.

"Mais de mil soldados e cerca de 200 unidades logísticas das 12ª e 17ª brigadas mecanizadas começam a deslocar-se para leste (da Polónia) ", escreveu Blaszczak, na sua conta no Twitter. "Isto mostra que estamos prontos para responder a tentativas de desestabilização perto da fronteira do nosso país", afirmou.
Krynki, fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia
No extremo oriental da Polónia, as patrulhas fronteiriças permanecem em alerta máximo e intensificou-se nas últimas horas a vigilância dos guardas fronteiriços, que com a ajuda de drones, câmaras de vigilância e holofotes controlam a vedação de arame farpado que marca a linha divisória com a Bielorrússia.

Num cenário instalado, há dois anos, por Varsóvia, tem-se assistido nas últimas semanas a um aumento do número de migrantes que tentam entrar no país, a partir da Bielorrússia. A Polónia acusa Minsk de encorajar milhares de migrantes, exilados do Médio Oriente e de África e transportados por via área, a atravessarem para o seu país e de tentar criar artificialmente uma crise migratória, desde 2021.

No seguimento da decisão, por parte de Vladimir Putin, de oferecer aos mercenários de Yevgeny Prigozhin a possibilidade de se deslocarem para a Bielorrússia, um comandante de alta patente do grupo disse que os mercenários da organização estavam a preparar-se para partir para a Bielorrússia, nos termos do acordo que desativou o seu motim contra a liderança militar russa, nos dias 23 e 24 de junho.

Deste modo, a presença de mercenários na vizinha Bielorrússia tem aumentado as tensões nas fronteiras dos países vizinhos e levado alguns países-membros da NATO a recear instabilidade na região.

Tendo sido a Bielorrússia utilizada como ponto de partida para a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, Kiev também está a avaliar a situação da segurança na fronteira com a Ucrânia, onde estão estacionadas tropas russas e ogivas nucleares.
Zelensky apela a uma melhor fortificação da fronteira da Ucrânia com a Bielorrússia
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou durante o seu discurso de domingo à noite, a cerca de 150 quilómetros da fronteira, na cidade de Lutsk, a um reforço da proteção da fronteira da Ucrânia com a Bielorrússia.

"A prioridade é reforçar cada região, toda a nossa fronteira norte", declarou Zelensky, desde do Castelo de Lubart, em Lutsk, após ter tido durante o dia de domingo “uma longa reunião sobre a situação na região - segurança, a situação na fronteira, a situação nas zonas fronteiriças da vizinha Bielorrússia", explicou.
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