Guerra na Ucrânia. Pelo menos quatro mortos em ataque russo contra a região de Kiev
Pelo menos quatro pessoas morreram e quinze ficaram feridas em ataques aéreos russos "massivos" em várias regiões da Ucrânia, incluindo na capital.
"O inimigo está a lançar um ataque maciço contra a região de Kiev com recurso a drones e mísseis", disse o chefe da administração militar da região de Kiev, Mykola Kalashnyk.
"A região de Kiev viveu mais uma noite difícil. Infelizmente, o número de mortos subiu para quatro. Quinze moradores da região ficaram feridos", acrescentou ainda o governador regional no Telegram.
Kalashnyk mencionou ainda que o número de vítimas pode aumentar.
Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, este "ataque massivo" também teve como alvo as regiões de Sumy, Kharkiv, Dnipro e Mykolaiv.
"O principal alvo dos russos era a infraestrutura energética na região de Kiev, mas, infelizmente, prédios residenciais, escolas e empresas civis também foram atingidos e danificados", disse o líder ucraniano.
Os ataques noturnos tiveram como alvo uma residência de estudantes, instalações industriais, armazéns e edifícios residenciais, disse o dirigente militar. A Força Aérea da Ucrânia tinha emitido, pouco antes, um alerta dando conta de vários mísseis a voar em direção a Kiev.
Segundo a Força Aérea Ucraniana, a Rússia lançou 430 drones e 68 mísseis durante o ataque, dos quais 402 e 58, respectivamente, foram interceptados.
"Cada noite de ataques russos desse tipo lembra a todos os nossos parceiros que as defesas aéreas e os mísseis que as equipam são, na realidade, uma necessidade diária", argumentou Zelensky.
Os ataques surgem um dia depois de Zelensky ter avisado que a decisão dos Estados Unidos de flexibilizar as sanções sobre as vendas de petróleo russo vai fortalecer Moscovo e não contribui para a paz.
"O levantamento das sanções irá, em todo o caso, levar a um reforço da posição da Rússia", disse Zelensky durante uma conferência de imprensa com o homólogo francês, Emmanuel Macron, em Paris.
"Esta flexibilização por parte dos Estados Unidos poderá render à Rússia cerca de 10 mil milhões de dólares [cerca de 8,7 mil milhões de euros] para a guerra. Isto certamente não contribui para a paz", acrescentou o líder ucraniano.
Ao lado de Zelensky, Macron afirmou que "o contexto de subida dos preços do petróleo não deve, em caso algum, levar a uma revisão da política de sanções contra a Rússia".
"Essa é a posição que o G7 defendeu e é, evidentemente, a posição da França e da Europa", disse o Presidente francês.
O G7 é formado pela Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, integrando também a União Europeia (UE).
Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira terem autorizado temporariamente a venda de petróleo russo armazenado em navios, devido à subida dos preços desde o início da guerra no Irão, iniciada por Washington e Telavive em 28 de fevereiro.
O Conselho Europeu e a Comissão Europeia manifestaram-se na sexta-feira contra a decisão norte-americana, qualificando-a como preocupante.
"A decisão unilateral dos Estados Unidos de levantar sanções às exportações de petróleo russo é muito preocupante, tendo em conta que afeta a segurança europeia", escreveu o presidente do Conselho Europeu, António Costa, nas redes sociais.
Os aliados de Kiev têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
C/agências