Kaja Kallas diz que "Rússia não está interessada na paz"

Kaja Kallas diz que "Rússia não está interessada na paz"

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, considerou hoje em Lisboa que a Rússia não está interessada na paz e defendeu a necessidade de os 27 se manterem unidos na defesa da Ucrânia.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"A Rússia não está interessada na paz", comentou a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, após um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, referindo que pelo menos 45 pessoas morreram esta semana em ataques russos.

Questionada sobre a ausência da UE das negociações sobre a Ucrânia previstas para a próxima semana em Abu Dhabi, Kaja Kallas declarou: "A Rússia não nos quer à mesa".

"Como em muitas outras ocasiões na História, os grandes países querem ter um acordo entre si e não envolver outros. Mas, na verdade, as questões que interessam à Rússia, no que diz respeito a sanções ou quando se trata de ativos congelados, todas estas são decisões europeias", referiu.

Instada a comentar a posição da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que hoje defendeu perante o presidente do Conselho Europeu, António Costa, a necessidade de a UE falar a uma só voz sobre a Ucrânia, Kaja Kallas disse concordar.

"O que precisamos de fazer para realmente estar à mesa é manter-nos unidos e não devemos falar a diferentes vozes", comentou a também vice-presidente da Comissão Europeia.

"Se mostrarmos que estamos de alguma forma divididos e, como disse a primeira-ministra Meloni, falar a diferentes vozes, muitas pessoas, muita confusão, então isso favorece o lado russo", salientou Kallas.

"Por isso, é muito, muito importante que nos mantenhamos na mensagem, que nos mantenhamos unidos, que nos mantenhamos no trabalho que já fizemos", defendeu.

A chefe da diplomacia europeia considerou que, até agora, a Rússia tem estado a "apresentar as suas exigências máximas", exercendo "toda a pressão sobre a Ucrânia", tal como "outros países à volta dessa mesa".

Nas negociações, previstas para os dias 10 e 11 de novembro, participam a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos.

Os chefes da diplomacia da UE, continuou Kallas, prepararam "um ponto de partida, que deve ser a base de qualquer tipo de negociação".

"Se a Rússia está a apresentar o máximo de exigências, nós também devemos equilibrar a mesa das negociações", com o objetivo de "dizer à Rússia que todas estas coisas que lhes interessam não vêm de graça".

"Queremos uma paz duradoura e justa. Isso significa que não só acabam com a guerra, mas que garantimos que não a reiniciam", salientou.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros português também concordou com a posição da primeira-ministra italiana.

"É preciso haver uma unidade na posição europeia e é preciso haver clareza na condução naquele que será o posicionamento perante as negociações", referiu, na conferência de imprensa que antecedeu um jantar de trabalho com Kaja Kallas.

Sobre as negociações, Rangel sublinhou que a Ucrânia "tem de ser parte e isso é um ponto absolutamente fundamental".

Por outro lado, referiu, a UE terá "um papel na reconstrução da Ucrânia" e, "portanto, nada disso pode ser decidido sem que a Europa esteja presente".
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