Guerra na Ucrânia
Kiev compara a Rússia ao Estado Islâmico após vídeo de decapitação
Esta terça-feira surgiu um vídeo na internet onde alegados soldados russos se filmaram a decapitar um prisioneiro ucraniano com uma faca. A Ucrânia imediatamente comparou a Rússia ao Estado Islâmico. Moscovo reagiu classificando o ato como "horrível" e pede que a autenticidade do vídeo seja verificada.
De acordo com a Reuters, ainda não se conseguiu verificar a autenticidade ou proveniência do vídeo partilhado nas redes sociais, que mostra um homem de uniforme a decapitar outro.
"Não é um acidente (...) Já aconteceu antes. Foi assim em Bucha. Milhares de vezes", continuou, referindo-se aos subúrbios de Kiev que se tornaram símbolo das atrocidades atribuídas ao exército russo. "São precisas condenações de prisão para os assassinos”, acrescentou Zelenskiy .
O vídeo
O homem decapitado apresenta uma faixa amarela no braço usada normalmente por soldados ucranianos.
O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmitro Kuleba, afirmou no Twitter que "um vídeo horrível de tropas russas a decapitar um prisioneiro de guerra ucraniano está a circular online".
Kuleba acredita que a Rússia é "pior que o Estado Islâmico", a organização jihadista que filmou as execuções de reféns, principalmente por decapitação. "Os terroristas russos devem ser expulsos da Ucrânia e da ONU e responsabilizados por seus crimes", disse o chefe da diplomacia ucraniana no Twitter.
A agência de segurança interna da Ucrânia anunciou que está em curso uma investigação sobre o alegado crime de guerra por causa do vídeo: "Ontem, um vídeo apareceu na Internet que mostra como os ocupantes russos revelam a sua natureza bestial - torturando cruelmente um prisioneiro cortando-lhe a cabeça", escreveu a agência SBU no Telegram.
“Há algo que ninguém no mundo pode ignorar: a facilidade com que estas feras matam", reagiu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, numa mensagem de vídeo. "Haverá responsabilidade legal para tudo. A derrota do terror é necessária."
O vídeo
O vídeo tem um minuto e quarenta segundos de imagens de violência. Circula na internet desde terça-feira. No enquadramento vê-se um homem camuflado, de rosto tapado com uma máscara, a cortar o pescoço de outro homem fardado que se debatia no chão, e a gritar "está a doer".
Após alguns segundos, os gritos param e ouve-se um homem atrás da câmara incitando o carrasco em russo a "cortar a cabeça" da vítima. Este termina a decapitação com uma faca e mostra a cabeça decepada para a câmara.
"Tem que se colocar na bolsa e mandar para o comandante", afirma uma voz em russo. Na câmara, também mostra o colete da vítima com o tridente ucraniano e uma caveira.
Kremlin: Vídeo da decapitação é 'horrível'
Normalmente, as autoridades de Moscovo limitam-se a negar qualquer envolvimento de soldados russos em crimes de guerra e acusam a Ucrânia de orquestrar as cenas.
Esta quarta-feira, as autoridades de Moscovo já reagiram afirmando que as cenas do vídeo são “horríveis” mas chamam a atenção para a necessidade de a autenticidade do filme ser verificada.
O jornalista da VOANews classifica o vídeo de violento e partilha apenas duas imagens.
Russian telegram channels are now sharing a brutal video that appears to show how Russian soldiers decapitate a Ukrainian POW. I won't post it here because it's too violent. Wonder how the Russians react? They brag about it. Yet someone still believes this is just Putin's war. pic.twitter.com/Lfvh2amCfe
— Ostap Yarysh (@OstapYarysh) April 12, 2023
c/agências