Kiev considera "vergonhosa e injustificável" retirada de sanções a oligarcas russos
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, classificou hoje como "vergonhosa e injustificável" a decisão da União Europeia (UE) de retirar sanções contra dois oligarcas russos acusados de cumplicidade com a invasão da Ucrânia.
"Moscovo está a celebrar porque conseguiu o que queria: um sentimento de impunidade, a humilhação da UE e a divisão entre os europeus", condenou o chefe da diplomacia de Kiev na rede X.
Em causa estão os oligarcas Alisher Usmanov, produtor de aço que é alegadamente utilizado na produção de tanques russos, e Mikhail Fridman, um dos principais banqueiros da Rússia, ambos de fora do novo pacote de sanções de Bruxelas a Moscovo, por pressão de França, Luxemburgo e Eslováquia.
Na sua mensagem, Sybiga instou os Estados-membros da UE a "impor as suas próprias sanções nacionais a estes dois indivíduos".
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também condenou o levantamento das sanções contra os dois russos, durante uma reunião com a líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à margem da assembleia-geral da ONU, em Nova Iorque.
"Num momento em que a Rússia está a realizar ataques brutais contra o nosso povo -- e mesmo agora, durante a assembleia-geral da ONU, estão em vigor alertas de ataques aéreos em muitas regiões devido aos drones e mísseis balísticos --, os sinais sobre o levantamento de sanções contra oligarcas russos individuais são autodestrutivos e contraproducentes", declarou numa mensagem nas redes sociais.
As guerras "terminam com determinação e força", observou Zelensky na sua mensagem citada na agência Ukrinform, e "não com concessões ao círculo íntimo do agressor".
Os Estados-membros da UE chegaram hoje a acordo para renovar as sanções à Rússia por violação da integridade territorial da Ucrânia, a poucas horas de expirar o pacote anterior, anunciou a presidência irlandesa do Conselho.
A renovação do pacote de sanções encontrava-se bloqueada há vários dias devido às exigências de França e Luxemburgo sobre os dois oligarcas russos, que estavam por sua vez bloqueadas pela Letónia.
A França pediu que Usmanov, cidadão russo-uzbeque, fosse libertado das sanções no âmbito de um acordo para a libertação de dois cidadãos franceses detidos no Azerbaijão.
Em sequência, o Luxemburgo pediu igualmente que Fridman fosse retirado da lista, após o banqueiro russo ter aberto um procedimento arbitral contra o país no qual exige a indemnização de 14 mil milhões de euros devido ao congelamento dos seus ativos financeiros.
A presidência irlandesa considerou que o acordo hoje alcançado foi um "compromisso difícil" e implica a "retirada de alguns indivíduos da lista".
A Letónia justificou posteriormente que, para impedir que o pacote de sanções expirasse, decidiu abster-se na votação e avançar com sanções nacionais a Usmanov e Fridman.
O regime de sanções abrange cerca de 2.600 indivíduos e entidades e inclui o congelamento de bens e a proibição de disponibilizar fundos aos sancionados e vai vigorar três anos, ao contrário dos seis meses que estavam em prática até agora.
Na reunião em Nova Iorque, a presidente da Comissão Europeia transmitiu a Zelensky que a Ucrânia pode aceder até ao final do ano a mais 37 mil milhões de euros da linha de crédito de 90 mil milhões de euros a Kiev que a UE disponibilizou para 2026 e 2027.
"Mais apoio à defesa está a caminho. E, à medida que as reformas na Rada [parlamento ucraniano] progridem, mais apoio orçamental também será disponibilizado. Temos 37 mil milhões de euros ainda disponíveis este ano", disse Von der Leyen na rede X.
O Presidente ucraniano confirmou na mesma rede que discutiu com Von der Leyen "a resiliência financeira da Ucrânia" este ano e em 2027.
"Agradecemos à UE pela decisão sobre os 90 mil milhões de euros, e a Ucrânia está a cumprir os seus compromissos no âmbito do acordo, dentro das limitações orçamentais", disse Zelensky, referindo-se aos ajustamentos fiscais exigidos por Bruxelas para libertar os fundos.