Lituânia em alerta após deteção de drone abatido por caças da NATO
Várias regiões da Lituânia, incluindo a capital Vilnius, foram colocadas em alerta esta noite após ser detetado no espaço aéreo do país um drone que foi abatido por caças da NATO.
"Um drone foi neutralizado com sucesso sobre o território lituano", informou hoje o Ministério da Defesa do país báltico nas redes sociais.
"As Forças Armadas da Lituânia e os pilotos italianos que trabalham na Missão de Defesa Aérea da NATO deram uma resposta rápida e responsável", adiantou.
Poucos minutos antes, as autoridades lituanas tinham emitido um alerta amarelo, por "drone potencialmente detetado", nos distritos de Elektrenai, Trakai, Kaunas e Vilnius, através da plataforma lituana de proteção civil e preparação para emergências (LT72).
Poucos minutos após o anúncio do Ministério da Defesa, a plataforma LT72 --- ligada ao Ministério do Interior --- comunicou o cancelamento do alerta amarelo em todas as áreas anteriormente notificadas.
O responsável do Centro Nacional de Gestão de Crises (NKVC, na sigla em lituano), Vilmantas Vitkauskas, declarou à emissora estatal LRT que o drone foi abatido especificamente perto da localidade de Pratkunai, situada no distrito de Kaisiadorys, na província de Kaunas.
Após a interceção, "as equipas foram mobilizadas para identificar o tipo de drone, as suas características e qual o seu objetivo de voo", indicou Vitkauskas.
Desde março deste ano tem havido uma série de incursões de drones --- na sua maioria ucranianos ou suspeitos de o serem, mas frequentemente atribuídos publicamente à Rússia --- no espaço aéreo da Lituânia, Letónia, Estónia e também da Finlândia, associadas à campanha ucraniana de longo alcance contra infraestruturas petrolíferas russas (como os portos de Ust-Luga e Primorsk).
A 23 de março, um drone caiu perto do Lago Lavysas, na Lituânia, seguido de mais quedas na Letónia e Estónia dois dias depois. Estes terão sido drones que se desviaram da rota durante ataques a terminais petrolíferos russos, possivelmente devido a guerra eletrónica russa.
Drones vindos do espaço aéreo russo atingiram a 25 de março a central elétrica de Auvere, na Estónia, e caíram na Letónia.
A 07 de maio, dois drones alegadamente ucranianos, à deriva, entraram na Letónia vindos da Rússia; um explodiu num depósito de combustível em Rezekne.
A 23 de maio, um drone artesanal vindo da Bielorrússia foi abatido por guardas fronteiriços lituanos no distrito de Salcininkai, suspeitando-se de contrabando.
Já a 16 de agosto, caças da NATO abateram um drone sobre o espaço aéreo da Letónia, no contexto de ataques contínuos entre a Rússia e a Ucrânia na região do Báltico.
A Rússia acusou repetidamente a Letónia e outros países bálticos de fornecerem "corredores aéreos" à Ucrânia para atacar território russo --- acusação rejeitada pela NATO e pelos próprios governos bálticos.
Os presidentes da Lituânia, Estónia e Letónia reiteraram numa declaração conjunta que nunca permitiram o uso dos seus territórios para ataques contra a Rússia.
Em maio, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, esteve em Vilnius a garantir apoio da UE, classificando as incursões como "não isoladas" e parte de uma "estratégia deliberada da Rússia para desestabilizar as sociedades democráticas".
A NATO reforçou a presença na região do Báltico com meios de vigilância e navios de defesa aérea.
Estes incidentes têm alimentado receios de escalada no chamado "flanco báltico" da NATO.