Moscovo retoma ofensiva. Kiev abate 130 drones em novo ataque em massa

As forças russas lançaram 176 drones na noite de domingo, num ataque contra várias regiões da Ucrânia, 130 dos quais as defesas aéreas ucranianas dizem ter abatido. Além dos bombardeamentos noturnos, há relatos de que o Exército da Rússia avançou mais em Kursk, nas últimas horas.

Inês Moreira Santos - RTP /
Maria Senovilla - EPA

De acordo com o exército ucraniano, a Rússia lançou 176 drones Shahed e outros kamikaze na última noite, tendo sido abatidos 130 dispositivos e os outros 42 não terão atingido os alvos. O novo ataque russo visou 15 regiões do leste, nordeste, norte, centro e sul da Ucrânia.

Contudo, houve danos nas regiões de Kharkov (no nordeste), de Poltava (no centro) e em Kiev.As forças russas atacam o território ucraniano quase todas as noites com mais de uma centena de drones kamikaze, e têm entre os principais alvos o sistema energético ucraniano.

Ainda durante o fim de semana, a Rússia continuou os ataques contra a Ucrânia, com o presidente ucraniano a lamentar que Moscovo não esteja “a pensar em como acabar com a guerra, mas em como destruir e conquistar mais enquanto o mundo permite que [as forças russas] continuem”.

Apesar disso, Volodymyr Zelensky voltou a insistir, numa mensagem divulgada nas redes sociais, que está “totalmente comprometido” com as negociações.

“A Ucrânia tem tentado alcançar a paz desde o primeiro segundo desta guerra. Há propostas realistas em cima da mesa. A chave é agir rápida e efetivamente”, disse ainda o líder ucraniano.
“Apaziguar bárbaros”
No sábado, o primeiro-ministro polaco condenou os bombardeamentos russos que vitimaram pelo menos 23 pessoas na Ucrânia, considerando um número “assustador” que é o resultado do apaziguamento de “bárbaros”.

“É isto que acontece quando alguém apazigua bárbaros”, escreveu Donald Tusk na rede social X . “Mais bombas, mais agressões, mais vítimas. Outra noite trágica na Ucrânia”.

Os ataques russos dos últimos dias na cidade oriental de Dobropillia mataram 11 pessoas e feriram pelo menos 50, em ataques que o presidente ucraniano disse terem sido “deliberadamente calculados para causar o máximo de dano”.

“Foi um dos ataques mais brutais, um combinado”, disse Zelensky na mensagem diária.

Recorde-se que, na sexta-feira, após ameaçar a Rússia com sanções para forçar um cessar-fogo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Vladimir Putin estava "a fazer o que qualquer outro faria" ao tirar vantagem da atual dinâmica do campo de batalha.
Sob pressão em Kursk
Há entretanto relatos de que as forças russas avançaram mais na região de Kursk, como parte de uma grande operação de cerco que visa forçar os soldados ucranianos a fugir ou a render-se no oeste da Rússia, após a chegada de novas tropas norte-coreanas ter reforçado as operações ofensivas russas dentro das próprias fronteiras.

Segundo o blogue pró-russo Two Majors, as forças russas limparam o assentamento de Ivashkovsky e as unidades russas estavam a avançar no chamado "caldeirão" em Kursk, em pelo menos sete direções. Yuri Podolyaka, um bloguer militar, adiantou que as forças de Kiev estavam a ter dificuldades para enfrentar a ofensiva na região, visto o avanço russo ser muito rápido e as unidades ucranianas estarem presas em vários bolsões em Kursk.

"Nos últimos quatro dias, as tropas russas limparam muito território na região de Kursk que não conseguiram limpar durante meses"
, afirmou também fonte próxima ao Ministério da Defesa da Rússia, citado pela Reuters.

"A frente foi perfurada"
, acrescentou a mesma fonte, que especificou que as tropas ucranianas estavam encurraladas.

As forças russas recapturaram, no domingo, mais três assentamentos em Kursk depois de forças especiais se terem arrastado ao longo de quilómetros por um gasoduto perto da cidade de Sudzha, numa tentativa de surpreender as forças ucranianas.

O Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia confirmou no relatório diário, na noite de domingo, que as forças ucranianas repeliram 27 ataques de forças russas ao longo da linha da frente na região de Kursk.

A Ucrânia lançou uma contraofensiva em Kursk em agosto do ano passado, com o objetivo de poder desviar as tropas russas do leste da Ucrânia e melhorar a sua posição antes de potenciais negociações de cessar-fogo.
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