Musk nega. Ucrânia denuncia que russos estão a usar satélites Starlink

por Carla Quirino - RTP
Residentes usam um terminal Starlink, em Chasiv Yar, região de Donetsk, Ucrânia Oleksandr Ratushniak - Reuters

A plataforma de satélites Starlink, da empresa norte-americana SpaceX, estará a ser usada pelos russos em territórios ocupados, acusam os serviços secretos ucranianos. O proprietário do sistema, Elon Musk, nega qualquer negócio contratado com Moscovo ou forças russas.

“Foram registados casos de utilização dos dispositivos em causa (satélites da Starlink) por parte dos ocupantes russos”, denunciou o porta-voz do Ministério de Assuntos Internos e Comunicações da Ucrânia, Andri Yusov.

Alega ainda que a rede de satélites da SpaceX, propriedade do norte-americano Elon Musk, estará a ser utilizada por unidades que combatem em cidades perto da região oriental de Donetsk, parcialmente ocupada.

Musk, já reagiu, garantindo que o serviço não está disponível no território russo nem existe qualquer tipo de tipo de comercialização de serviços para uso da rede de satélites.

“O que sabemos, até agora, é que nenhum Starlink foi vendido direta ou indiretamente para a Rússia. Várias notícias falsas afirmam que a SpaceX está a comercializar terminais Starlink para a Rússia. Isso é categoricamente falso”,  assegurou a SpaceX.

A empresa do multimilionário também deixou claro que, "se a SpaceX tiver conhecimento de que a rede de satélites Starlink está a ser usada de forma ilegal, sem autorização", vai "investigar e tomar medidas para suspender esse uso, desativando o terminal".


Nem Musk nem a Starlink revelaram quaisquer esforços pró-ativos para impedir que as forças russas obtivessem os sinais de internet via terminais da empresas ou se ligassem ao Starlink, nem confirmaram se as informações ucranianas estavam a ser investigadas, de acordo com o jornal britânico The Guardian.
Sinais da Starlink em mãos russas
A rede de satélites desenvolvida pela SpaceX foi implementada rapidamente quando a Rússia invadiu a Ucrânia, há quase dois anos, para favorecer as comunicações das forças de Kiev no terreno.

Os serviços de informações militares da Ucrânia, GUR, alegam que os terminais estão a ser usados por unidades como a 83ª Brigada de Assalto Aéreo da Rússia, que luta perto de Klishchiivka e Andriivka, na região parcialmente ocupada de Donetsk.

O GUR afirma que intercetou uma comunicação entre dois soldados que discutiam a criação dos terminais. Uma das provas é um fragmento de áudio da conversa, que os serviços do GUR publicaram no Telegram.

Os terminais Starlink devem funcionar com uma tecnologia que permita não só a georreferenciação – GPS -, como como também definir um limite geográfico virtual de distribuição de sinal. Esta informação digital que configura a fronteira geográfica dos terminais barra os serviços, para que não funcionem em locais não autorizados.

Os serviços secretos de Kiev não comentam como terão os militares russos conseguido acesso aos terminais da Starlink. Tanto podem ter sido adquiridos fora do território ou usurpada das forças ucranianas.

Há ainda referências sobre a capacidade das forças russas para “falsificar” as barreiras geográficas: fazer com que um terminal de uma área bloqueada aparente situar-se numa zona autorizada.

c/ agências
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