NATO apoia proposta de mecanismo europeu contra ataques híbridos

NATO apoia proposta de mecanismo europeu contra ataques híbridos

A NATO acolheu hoje "com satisfação" a proposta da presidente da Comissão Europeia de criar um mecanismo semelhante ao artigo 4.º da Aliança para coordenar a resposta da União Europeia (UE) a ataques híbridos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Christian Mang - Reuters

"Recebemos com satisfação o facto de os nossos aliados e parceiros europeus darem um passo em frente para fazer mais em prol da nossa segurança partilhada", declarou um porta-voz da NATO.

Questionada sobre a possibilidade de o novo mecanismo representar uma duplicação dos instrumentos já existentes na NATO, a mesma fonte da Aliança recordou que esta continua a ser "a pedra basilar" da defesa coletiva dos seus membros, incluindo os países da UE que também pertencem à organização.

A NATO salientou que esta posição foi novamente reafirmada na cimeira realizada em julho em Ancara, na Turquia.

"Continuaremos a trabalhar em estreita colaboração com a União Europeia na concretização da nossa agenda comum, incluindo o incentivo à produção industrial de defesa e a garantia de apoio contínuo à Ucrânia", acrescentou a organização liderada pelo antigo primeiro-ministro neerlandês Mark Rutte.

A reação surge depois de Ursula von der Leyen ter proposto hoje, durante o discurso sobre o Estado da União perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, a criação de uma espécie de equivalente europeu do artigo 4.º da NATO.

"A Europa precisa do seu próprio manual de resposta a ameaças híbridas. Precisamos urgentemente de um consenso sobre como responder a determinados incidentes: aqueles que se situam abaixo do limiar da agressão armada, mas que ameaçam claramente a nossa segurança nacional", afirmou.

A presidente da Comissão defendeu, assim, "um mecanismo que complemente o artigo 4.º da NATO".

O artigo 4.º do Tratado do Atlântico Norte prevê consultas entre os aliados sempre que um deles considere ameaçadas a integridade territorial, a independência política ou a segurança de qualquer membro da organização.

Segundo Von der Leyen, quando um Estado-membro acionasse o futuro mecanismo europeu, os membros da comunidade reunir-se-iam para coordenar uma resposta conjunta, dissuadir uma escalada e mitigar os efeitos do incidente.

A presidente da Comissão propôs ainda a criação de um "Conselho Europeu de Segurança", que reuniria líderes da UE com parceiros como o Reino Unido, Canadá, Noruega e Ucrânia para discutir as ameaças à segurança do continente.

"Há muito que debatemos um formato de líderes focado na segurança do nosso continente", afirmou Von der Leyen, considerando a iniciativa "ainda mais urgente" perante "a natureza e a escala dos riscos em jogo".

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