Negociador ucraniano discute diálogo com Moscovo com países europeus

Negociador ucraniano discute diálogo com Moscovo com países europeus

O chefe da equipa de negociação ucraniana no diálogo com a Rússia discutiu hoje por telefone os desenvolvimentos das conversações de paz com os principais parceiros europeus de Kiev, indicou o próprio Rustem Umerov na rede social Telegram.

Lusa /

O negociador ucraniano e também secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia deu conta de uma primeira conversa com os seus homólogos da Alemanha, França e Reino Unido e uma segunda com os da Dinamarca, Lituânia, Letónia, Estónia, Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia.

"Juntos, estamos a caminhar para uma paz justa e duradoura para a Ucrânia", comentou Umerov.

A Rússia e a Ucrânia realizaram duas rondas de negociações diretas nas últimas semanas, mediadas pelos Estados Unidos, que decorreram nos Emirados Árabes Unidos.

A próxima reunião neste formato, para a qual ainda não há data definida, deverá realizar-se em breve nos Estados Unidos, segundo indicaram as partes envolvidas nas conversações de paz.

A última sessão de reuniões tripartidas terminou na quinta-feira em Abu Dhabi e apenas resultou numa nova troca de prisioneiros de guerra e no acordo de prosseguir o diálogo.

As partes continuam porém afastadas em relação às principais questões, relacionadas com o futuro das regiões no leste da Ucrânia reivindicadas pela Rússia e por garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão de Moscovo.

A Ucrânia tem insistido que não fará cedências do seu território, enquanto a Rússia não aceita o envio de forças ocidentais de paz para o país vizinho.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros de Moscovo, Serguei Lavrov, ainda há "um longo caminho a percorrer" nas conversações trilaterais em curso.

Na segunda-feira, a Rússia manifestou desapontamento com o Presidente norte-americano, Donald Trump, apontado a retirada das propostas relativas à Ucrânia feitas ao líder do Kremlin (presidência), Vladimir Putin, na cimeira entre ambos em agosto no Alasca, e a sua recusa em suspender as sanções contra Moscovo.

"Em Anchorage, no Alasca, aceitámos a proposta dos EUA (...), e eles terão feito uma oferta em relação à Ucrânia, para a qual estávamos preparados --- agora eles já não estão --- e também não vemos um futuro promissor na esfera económica", declarou Lavrov, em entrevista à BRICS TV.

O ministro russo comparou a administração Trump à do seu antecessor, Joe Biden (2021-2025), por não ter removido as sanções impostas à Rússia após a guerra na Ucrânia.

"Apesar de todas as declarações da administração Trump sobre a necessidade de pôr fim à guerra que Biden desencadeou na Ucrânia, chegar a um acordo, retirá-la da agenda e supostamente abrir perspetivas claras e promissoras para o investimento e a cooperação russo-americana, não impede as leis aprovadas por Biden para punir a Rússia após o início da guerra", observou.

O chefe da diplomacia de Moscovo recordou ainda as sanções impostas em novembro contra as principais petrolíferas russas, a Lukoil e a Rosneft, "algumas semanas após o excelente encontro entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Presidente norte-americano, Donald Trump, em Anchorage".

O ministro lamentou que, após o encontro entre os dois líderes no Alasca, as relações deveriam ter evoluído para uma cooperação mais ampla, "mas, na prática, ocorreu o contrário", uma vez que os norte-americanos "estão a criar barreiras artificiais".

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também destacou na segunda-feira "os entendimentos alcançados" no Alasca e que a parte russa continua a trabalhar neles.

"Os entendimentos alcançados em Anchorage são fundamentais e podem impulsionar o processo de resolução do conflito ucraniano e permitir progressos significativos", acrescentou Peskov sobre um presumível entendimento entre Trump e Putin para o conflito.

Lavrov voltou hoje a pronunciar-se sobre a Ucrânia ao afirmar que o Governo norte-americano está preparado para participar na procura de soluções para as "causas profundas" que alimentaram a guerra na Ucrânia, referindo-se à expressão habitual usada pelo Kremlin para justificar a invasão iniciada em 24 de fevereiro de 2022.

"As causas profundas não desaparecerão se não incluirmos a tarefa de as eliminar em qualquer tratado de paz", reiterou o ministro em entrevista ao canal de televisão NTV, em alusão a uma alegada perseguição da população russófona na Ucrânia e a expansão da NATO para junto das suas fronteiras.

O ministro russo reiterou as suas acusações à Ucrânia e aos países europeus de que estão a tentar desequilibrar os enviados dos Estados Unidos nas negociações, destacando que o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que "a Europa deve preparar-se para a guerra contra a Rússia".

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