"Olhar em frente". António Costa defende início formal da adesão da Ucrânia à UE

"Olhar em frente". António Costa defende início formal da adesão da Ucrânia à UE

Após uma reunião trilateral em Chipre com Zelensky e Von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu considerou que é altura de "abrir formalmente os primeiros capítulos para a adesão da Ucrânia à UE".

Graça Andrade Ramos - RTP /
António Costa, presidente do Conselho Europeu, Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, e Ursula von Der Leyen, presidente da Comissão Europeia, no Chipre Valentyn Ogirenko - Reuters

Na declaração conjunta divulgada depois da reunião trilateral os três líderes europeus destacaram o aval dado ao empréstimo de 90 mil milhões de euros em apoio à Ucrânia, e saudaram, os "progressos significativos realizados pela Ucrânia" para a adesão à UE e apelaram, por isso, à "abertura dos blocos de negociação sem demora".

Costa, Von der Leyen e Zelensky congratularam-se, também, com a adoção do 20.º pacote de sanções à Rússia, que inclui medidas anti-evasão, e sublinharam a necessidade de "exercer maior pressão sobre a Rússia para cessar a sua agressão e participar em negociações significativas com vista à paz".
Em declarações aos jornalistas, antes da cimeira informal de chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), António Costa ecoou a mensagem da reunião.

"Demos dois passos muito importantes para reforçar a Ucrânia", afirmou, à chegada à marina de Agia Napa, no Chipre.

"Aprovámos o empréstimo de 90 mil milhões de euros para apoiar a Ucrânia neste ano e no próximo, para satisfazer as principais necessidades de apoio financeiro e para se defenderem da agressão russa", referiu.
"Agora, é preciso olhar para a frente e preparar o próximo passo e o próximo passo é abrir formalmente os primeiros capítulos para a adesão da Ucrânia à UE", afirmou.
Ucrânia "não precisa de adesão simbólica"

Zelensky, à chegada ao Chipre, aplaudiu o aval dado ao empréstimo mas reagiu com firmeza a uma notícia do jornal britânico Financial Times, segundo a qual a França e a Alemanha pretendem oferecer, nesta fase, apenas vantagens simbólicas à Ucrânia.

"Sejamos justos. A Ucrânia não precisa de uma adesão simbólica à UE", disse. "A Ucrânia defende-se a si própria e defende, sem dúvida, a Europa, não simbolicamente, realmente", ao combater uma invasão russa", acrescentou. A Ucrânia tem estatuto de país candidato à adesão desde junho de 2022. Kiev havia apresentado formalmente o pedido em 28 de fevereiro de 2022, poucos dias depois do início da invasão russa. Em meados de dezembro de 2023, o Conselho Europeu decidiu abrir as negociações formais de adesão à UE com a Ucrânia, que têm marcado passo.

As negociações para a adesão da Ucrânia à UE foram bloqueadas pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.

O líder nacionalista da Hungria perdeu as eleições legislativas de 12 de abril, e passará à liderança da oposição.

O seu sucessor, Petér Magyar, é pró-Bruxelas e deverá abandonar os obstáculos colocados por Orbán.

Vários responsáveis europeus  consideram que a saída de cena de Orbán pode por isso dar um novo ímpeto ao processo.

Volodymyr Zelensky tem apelado a que a Ucrânia adira à UE em 2027, meta assumida como impossível por muitos Estados-membros e responsáveis europeus.

c/Lusa
 
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