Presidente da Croácia rejeita missão da UE de treino de soldados ucranianos
O Presidente da Croácia, Zoran Milanovic, rejeitou hoje a proposta do Governo para que o país participe no treino de soldados ucranianos no âmbito da Missão de Assistência Militar da União Europeia à Ucrânia (EUMAM).
O Presidente, que possui funções exclusivamente protocolares mas assume o cargo de comandante em chefe das Forças Armadas, indicou por escrito que a petição emitida pelo Ministério da Defesa não será aceite por não cumprir requisitos legais.
Milanovic argumenta que o ministro não possui competências para apresentar um pedido deste género.
"Não foram cumpridas as condições para ter em consideração a carta do ministro da Defesa na qual se solicita a aprovação do Presidente para a participação de membros das Forças Armadas da Croácia na missão EUMAM", indicou Milanovic.
O chefe de Estado assinalou ainda que a Constituição não permite essa participação, por não se tratar de uma ação humanitária nem de cooperação com um país na mesma aliança militar.
Na semana passada, o Conselho da União Europeia aprovou o início da EUMAM, uma missão de treino militar ao Exército ucraniano que prevê a formação de 15.000 soldados nos próximos dois anos.
Apesar de o Governo ter anunciado a participação da Croácia na missão, Milanovic disse em outubro que a reprovaria, ao considerar que implicava "um desnecessário envolvimento da Croácia na guerra da Ucrânia".
O primeiro-ministro, Andrej Plenkovic, anunciou que submeterá a decisão à aprovação do parlamento, onde a moção necessita de uma maioria de dois terços.
O conservador Plenkovic acusou por diversas vezes Milanovic -- eleito em 2020 como candidato social-democrata -- de ser "pró-russo", incluindo quando o Presidente anunciou que vetaria a adesão da Finlândia e Suécia à NATO, tendo entretanto alterado essa posição.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.557 civis mortos e 10.074 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.